Malhação

A forja de um cuteleiro é basicamente um forno grande muito aquecido. Cuteleiros tradicionais tendem a utilizar forjas de carvão, mas outros preferem a forja a gás ou eletricidade. Independente do tipo que um cuteleiro utiliza, o resultado desejado é o mesmo: aquecer o aço a uma temperatura adequada para modelar a espada.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Don Fogg trabalhando em sua forja

O aço se torna vermelho vivo ao redor de 649º a 816º e incandescente e laranja a cerca de 982º C. A maioria das ligas de aço deve começar a ser trabalhada por volta desta faixa. Se o aço estiver mais frio e parecer azulado, ele pode ser estraçalhado pela martelagem. Por outro lado, o aço não deve ser aquecido acima de 982ºC a menos que especificado pelas orientações da liga.

Após o aço ser aquecido, o primeiro passo é chamado de retirada. Quando você retira uma porção de aço, está aumentando o comprimento do aço e reduzindo a espessura. Em outras palavras, você o está achatando na forma básica da espada. Ao malhar sobre uma das extremidades, o cuteleiro pode fazer com que o aço se curve em seu comprimento para criar uma espada curva.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Um aluno de Don Fogg retirando o aço

Depois, o cuteleiro começa a espalmar a lâmina. Espalmar serve para criar a ponta e espiga da lâmina. Isto é feito malhando-se em ângulo, começando pelo ponto onde a quina deve iniciar e continuar até o final da lâmina. Muitas vezes esse processo cria uma lombada na grossura da lâmina que precisará ser retirada. Uma vez que a espiga estiver completa, o cuteleiro normalmente utilizará um kit de punção e rosca para fazer roscas no final da espiga para aparafusar o pomo.

O cuteleiro continuará a trabalhar na lâmina uma seção de cada vez. Ele faz isso aquecendo aquela parte da lâmina (normalmente de 15,24 a 20,32 cm) até que fique vermelho-vivo e modelando-a com o malho e outras ferramentas. Ele virará a lâmina diversas vezes durante a malhação para assegurar que ambos os lados foram trabalhados por igual.

Em determinados pontos durante o processo de forjamento, o cuteleiro normalizará o aço. Isto significa simplesmente que o aço é retornado à forja e aquecido novamente. Então, ele é deixado para esfriar sem que o cuteleiro faça nada com ele. O objetivo da normalização é aliviar o grão (estrutura cristalina) do aço. Essencialmente, toda vez que o ferreiro aquece uma seção da lâmina e trabalha nela, ele altera o grão do aço bem como a sua forma. O aço é aquecido a uma temperatura que o faz austenitizar (as moléculas de ferro e carbono começam a se misturar). O aço é removido da forja e resfriado ao ar. Isto reduz a tensão causada por irregularidades na composição da lâmina e assegura que o grão seja uniforme por toda a lâmina.

Finalmente, antes da fase de retífica e polimento, a lâmina é recozida. O recozimento é bem similar à normalização da superfície, mas certamente produz um resultado diferente. O aço é aquecido à temperatura adequada para austenitizar. O aço então é resfriado novamente de forma bem gradual. Normalmente, um material isolante é utilizado para assegurar que o aço não resfrie rápido demais.

O recozimento leva dias. Sua finalidade é tornar o aço macio e fácil de retificar ou cortar. Assim que o recozimento está completo, o cuteleiro pode começar a retificar a lâmina.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Um aluno do mestre cuteleiro Don Fogg limando uma lâmina de espada