Parte da história

Espadas afiadas têm sido parte de nossa história desde os primeiros registros. De fato, algumas das ferramentas mais antigas utilizadas pelo homem primitivo foram pedras afiadas.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Uma espada dos sonhos criada pelo mestre da cutelaria Don Fogg
Espadas e facas têm desempenhado um papel significativo em todas as grandes civilizações. Mesmo na sociedade moderna atual, as espadas são usadas em muitas cerimônias e acontecimentos militares ou estatais mais importantes. Pense sobre os comerciais do Corpo da Marinha dos EUA e como eles focam o sabre da Marinha, ou a cerimônia de cavalaria realizada pela Rainha da Inglaterra em que uma espada é usada para tocar os ombros do indivíduo que recebe o título de cavaleiro.

As espadas mais antigas eram feitas de cobre, um dos metais mais comuns disponíveis. As espadas de cobre eram muito moles e embotavam rapidamente. Mais tarde, começaram a se feitas de bronze. O bronze é uma liga de cobre e estanho. Uma liga é uma mistura de dois ou mais metais ou elementos básicos para formar um outro metal com determinadas propriedades específicas. No caso do bronze, a combinação de cobre e estanho criou um metal mais resistente e mais flexível do que o cobre, além de permanecer afiado mais tempo.

Uma espada melhor foi desenvolvida com o advento do ferro. O minério de ferro era facilmente encontrado por todo lugar na antigüidade. Ele contém ferro combinado com oxigênio. Para fazer ferro a partir do minério de ferro, é preciso eliminar o oxigênio para formar ferro puro. As instalações mais primitivas usadas para refinar o ferro a partir do minério de ferro é chamada de ferraria (em inglês).

Em uma ferraria, o carvão (em inglês) é queimado com minério de ferro e uma boa quantidade de oxigênio (fornecida por sanfonas ou foles). O carvão é essencialmente carbono puro. O carbono se combina com o oxigênio para formar dióxido de carbono e monóxido de carbono (liberando muito calor no processo). O carbono e monóxido de carbono se combinam com o oxigênio no minério de ferro e o levam embora, deixando uma massa porosa e esponjosa chamada de ferro-gusa. O ferro-gusa era então martelado para remover a maior parte das impurezas. O metal resultante era fácil de se trabalhar, mas as espadas de ferro não mantinham bem o fio e ainda eram moles demais.

Fabricação de espadas no Brasil

Segundo Laerte Ottaiano (especialista brasileiro em arte oriental antiga), o pioneiro na fabricação de espadas japonesas no Brasil foi o imigrante nipônico Yoshisuke Oura, que residiu em Suzano -  São Paulo - e iniciou suas atividades em 1936, vindo a falecer em 2000 (aos 90 anos). Suas espadas foram as primeiras produzidas comercialmente no país, mas o artesão atendia exclusivamente a colônia japonesa.

Entretanto, nenhuma espada produzida no Brasil foi tão falada quanto as do japonês Kunio Oda. Seu avô paterno foi quem o ensinou a arte de produzir lâminas e ele executou sua primeira espada em 1930, com apenas 18 anos.

Nascido em 1912, Kunio veio para o Brasil em 1957, para trabalhar como agricultor no interior de São Paulo, mas exerceu essa atividade durante poucos anos. Em 1966, estabeleceu-se na cidade de São Paulo, no tradicional bairro da Liberdade, reduto principal da colônia japonesa no Brasil. A partir de 1968 começou a preencher suas horas vagas produzindo espadas. Inicialmente atendia apenas a alguns membros da grande colônia japonesa. Gradualmente começou a atender também o público de nacionalidade brasileira.

Oda faleceu em 1992, aos 80 anos, e até poucas semanas antes de sua morte trabalhava diariamente em suas espadas. Alguns especialistas calculam que ele produziu, em seus 24 anos de atividade, cerca de 350 espadas. Atualmente, espadas de Oda novas, sem uso, são raríssimas.

O ferro se tornou o metal preferido para espadas e outras armas e ajudou a formar novos impérios. Armas e ferramentas tanto de ferro como de bronze tiveram um impacto incrível sobre o equilíbrio de poderes durante as eras de sua respectiva proeminência. De fato, esses períodos da história agora são conhecidos como a Idade do Aço e a Idade do Bronze.

Finalmente, o aço foi descoberto. Aço é uma liga de ferro (ferrita) e uma pequena quantidade de carbono (cementita), normalmente entre 0,2 e 1,5%. O aço era originalmente produzido usando um processo chamado de cimentação. Pedaços de ferro eram colocados dentro de um recipiente feito com uma substância com conteúdo de carbono muito alto. O recipiente era colocado em uma fornalha e mantido a uma temperatura alta por um período de tempo que podia variar de horas a dias. Durante este tempo, ocorria a migração do carbono o que significa que o ferro absorvia uma parte do carbono do recipiente. A mistura resultante de ferro e carbono era o aço.


Foto cedida por Facas Don Fogg
Don Fogg trabalhando em sua forja

O aço possui algumas vantagens sobre o ferro e o bronze:

  • é muito duro
  • é flexível quando recebe um tratamento térmico adequado
  • pode se manter afiado por muito tempo
  • pode ser manuseado e modelado
  • é mais resistente à oxidação e corrosão do que o ferro


Foto cedida por Facas Don Fogg
Representação de uma espada celta

Atualmente, quase todas as espadas fabricadas são feitas com algum tipo de liga de aço. Na maioria dos aços modernos, também existem alguns outros elementos. Você aprenderá mais sobre as várias ligas de aço depois. Mas primeiro, vamos falar sobre as ferramentas necessárias para se fazer uma espada.