Sistemas mecânicos e eletrônicos

Os motores são equipados com pós-combustores, o que pode fornecer uma carga extra de empuxo quando necessário. O pós-combustor simplesmente injeta combustível no fluxo de escape do jato. Ele inflama e se soma aos gases que saem da parte de trás do motor. À força total, o avião pode decolar a uma velocidade superior a Mach 2.5 (aproximadamente 2.984 km/h).

A alta potência do motor tem um preço: pouca economia de combustível. É claro, o F-15 foi projetado com essa limitação em mente. Para ampliar seu alcance sem precisar de reabastecimento, ele foi construído com grandes tanques de combustível internos na fuselagem (o corpo principal) e nas asas. Ele também pode transportar três tanques externos e um par de tanques com formato aerodinâmico sob as asas que geram alguma sustentação. Com os tanques cheios, o F-15C pode voar 5.550 km e o F-15E, 3.860 km.


Foto cedida Força Aérea Norte-Americana
O F-15 pode transportar combustível extra em três tanques externos: um montado sob cada asa e um anexado à fuselagem

O outro problema com os motores é que eles se desgastam muito rápido. Isso é esperado, dada a quantidade de trabalho que realizam. Felizmente, eles são fáceis de substituir: uma equipe terrestre da Força Aérea pode fazer isso em menos de uma hora.

O F-15 não apenas decola muito rápido: ele pára muito rápido também. Ele tem seu próprio freio a ar extensível, um painel hidráulico que aumenta incrivelmente o arrasto da aeronave para freá-la (como um pára-quedas).


Foto cedida Departamento de Defesa Norte-Americano
 Um F-15 abre seu freio a ar antes de pousar

A principal diferença entre o F-15 (e outros caças modernos) e seus predecessores são os sistemas eletrônicos. Os antigos pilotos de caça controlavam seus aviões mecanicamente, movendo alavancas, e geralmente contavam apenas com seus próprios olhos para visualizar os aviões inimigos. Contrastando completamente, quase todos os aspectos do F-15 são computadorizados.


Foto cedida Departamento de Defesa Norte-Americano

O avião tem um computador central conectado a uma matriz de sensores avançados. Com base nos dados inseridos pelo sistema de orientação por inércia (que contém sensores giroscópicos altamente sensíveis) e pelo piloto, o computador ativa os acionadores hidráulicos para ajustar as asas e os estabilizadores traseiros. O piloto não pilota o avião diretamente: ele dá as instruções e o computador decide como executá-las. O computador está constantemente realizando ajustes de vôo por conta própria para melhorar o desempenho do vôo: ele cria artificialmente uma viagem relativamente tranqüila. O computador do F-15 pode fazer ajustes necessários em milissegundos, cerca de 100 vezes mais rápido que um ser humano.

Se você quiser comprar um...
De acordo com a Força Aérea Norte-Americana, um F-15 Strike Eagle vale US$ 31,1 milhões. O F-15D custa US$ 29,9 milhões e um avião de primeira geração custará US$ 27,9 milhões. Enquanto isso pode parecer muito para uma pessoa comum, no mundo militar esse é, de fato, um valor baixo para o extraordinário nível de desempenho do F-15.
O principal "olho" do avião é seu sistema de radar computadorizado montado no nariz do caça. A tarefa do radar é localizar outra aeronave e gerar mapas terrestres. A parabólica é montada sobre giroscópios móveis para que possa girar sobre si mesma para varrer diferentes áreas ou seguir um alvo em movimento. O radar descobre os caminhos para os quais o alvo está se movendo usando o sistema pulse-Doppler. Basicamente, mudanças na freqüência de onda de rádio refletida indicam se o alvo está se movendo em direção ao sistema de radar ou para longe dele (veja Como funciona o radar para mais informações.)

O F-15 Strike Eagle tem um equipamento de varredura adicional chamado de sistema LANTIRN (low-altitude navigation and targeting infrared for night), navegação de baixa altitude e alvo infravermelho noturno. Esse sistema fica armazenado em duas cápsulas montadas na parte inferior do avião, próximas às entradas do motor.

A cápsula de navegação retém outra unidade de radar que é otimizada para mapear o terreno terrestre, e um scanner de visão noturna, FLIR- forward-looking-infrared (FLIR) night vision scanner, que captura a energia do calor infravermelho dos objetos que estão em seu redor. Juntos, esses sensores geram uma imagem detalhada do terreno abaixo do avião, permitindo ao piloto ou ao computador voar em total escuridão.


Foto cedida Departamento de Defesa Norte-Americano
Uma das cápsulas LANTIRN em um F-15 Strike Eagle

A cápsula de alvo hospeda um poderoso laser e outro scanner FLIR, montado em uma torre de tiro giratória. O laser funciona como um localizador de alcance, calculando a distância dos alvos com base no tempo necessário para o feixe do laser retornar deles, e também como um indicador de alvo, marcando os alvos para mísseis guiados por laser. O sistema de alvo é projetado para capturar alvos terrestres, mas também pode ser usado em combate ar-ar.

O computador central processa os dados do radar e do sistema LANTIRN e apresenta informações sobre alvos e navegação à tripulação. Na próxima seção, conheceremos o interior de uma cabine para observar como a tripulação acessa essas informações, pilota o avião e trava o alvo no inimigo.

O F-15 original foi projetado para uma tripulação de uma única pessoa. O piloto comanda o avião e posiciona a aeronave inimiga no alvo ao mesmo tempo. O F-15 Strike Eagle tem uma estação adicional na parte de trás da cabine para um oficial de sistemas de armas, ou WSO (pronuncia-se "wizzo"). No Strike Eagle, o WSO cuida da seleção e eliminação de alvos terrestres, ao passo que o piloto se concentra nas manobras do avião e em combater a aeronave inimiga. Ambas as estações são localizadas em uma abóbada resistente em forma de "bolha" no topo do avião. Esse design de abóbada dá à tripulação uma visão de 360° de seus arredores.


Foto cedida Departamento de Defesa
 A abóbada em forma de bolha do F-15 dá à tripulação uma ampla visão do céu. Esse avião está se preparando para reabastecer.

A estação do piloto é projetada para facilitar a pilotagem e a localização do máximo possível de alvos. O computador apresenta a maioria das informações relevantes no heads-up display (HUD), um monitor que projeta uma imagem sobre uma tela transparente à frente da abóbada da cabine. Como o heads-up display, o piloto pode monitorar os dados de vôo e as informações do radar enquanto mantém os olhos no céu. Isso é fundamental em combate: um piloto não pode ficar olhando para baixo, para os manômetros e instrumentos enquanto estiver fugindo ou perseguindo caças inimigos. A Força Aérea está planejando eventualmente substituir o sistema por um monitor montado no capacete que projeta os dados de vôo no visor do piloto.


Foto cedida Departamento de Defesa Norte-Americano
 Uma imagem infravermelha de terreno exibida em um heads-up display de um F-15