Princípios básicos da extinção

É fácil pensar na extinção como um evento grande e drástico, como o resultado da colisão de um asteróide ou como a invasão de novas e agressivas espécies. Mas as extinções acontecem mesmo sem a ajuda de desastres naturais ou de grandes matanças. Pesquisadores estimam que entre 1 e 3 bilhões de espécies viveram na Terra durante sua história e que quase 50 milhões delas desapareceram. Menos de 1/3 desses bilhões de formas de vida extintas desapareceram durante extinções em massa [fonte: Newman].

asteroid collision
Kauko Helavuo/The Image Bank/Getty Images
Enquanto as colisões de asteróides provavelmente estiveram por trás de pelo menos uma importante extinção em massa, a maior parte das extinções acontecem em escala muito menor

O restante morreu como parte de um processo permanente. Eles eram parte de uma taxa histórica de extinção, ou o número médio de extinções que aconteceram por milhões de anos. De acordo com as estimativas dos cientistas, a taxa histórica de extinção está em algum ponto entre uma e cinco espécies por ano [fonte: Ward].

Você vai notar que estas são todas médias e aproximações. Isso não é só porque envolvem grandes números e longos períodos de tempo. Esses números são aproximados devido às várias dificuldades inevitáveis que são parte do estudo da extinção.

  • Somente uma fração das espécies que viveram na Terra aparecem no registro fóssil - todos os fósseis descobertos e analisados no planeta. Isso significa que você não pode contar detalhadamente todos os fósseis conhecidos e nem deve esperar conseguir o número exato de espécies que viveram.

  • A fossilização só acontece em condições muito específicas. É altamente improvável que o último membro de uma espécie venha a se tornar um fóssil quando morre. Por essa razão, as espécies normalmente desaparecem do registro de fósseis antes que desapareçam do planeta - às vezes milhões de anos antes.

  • O registro de fóssil não é uma linha do tempo linear do que aconteceu na Terra. Pelo contrário, é uma coleção de estratos que contêm fósseis de diferentes períodos da história da Terra.

  • Ninguém sabe exatamente quantas espécies estão vivas na Terra atualmente e pode ser difícil dizer exatamente quando - ou se - uma espécie desaparece.

Por tudo isso, muito do estudo da extinção pode ter mais a ver com matemática do que com seres vivos reais. Os pesquisadores usam o número de fósseis conhecidos para estimar o número de espécies que existiram em todos os tempos. Eles usam estimativas chamadas intervalos de confiança para analisar a probabilidade de uma determinada espécie se tornar extinta em um determinado momento. E eles usam equações e algorítmos para tentar compensar os furos nos dados disponíveis e para fazer previsões precisas de como, quando e por que as espécies se tornam extintas.

Os pesquisadores também podem aplicar análise matemática às plantas, aos animais e aos organismos microscópicos vivos atualmente. Por exemplo, com a matemática os pesquisadores podem estimar quantas unidades de uma determinada planta ou animal estão vivas no planeta. A matemática também ajuda os pesquisadores a calcular a população mínima viável de uma espécie, ou o ponto no qual é certo que ela se torne extinta, mesmo que haja um pequeno número restante. Todo esse trabalho matemático pode ajudar os cientistas a calcular se uma única espécie está em perigo e a ajudar a protegê-la.

Mas a extinção não se resume à matemática. Nas duas próximas seções, veremos os aspectos práticos da extinção em pequena e grande escalas. Você vai conhecer a extinção em massa mais devastadora do mundo. Você também vai saber porque uma borboleta pode causar a extinção de numerosas espécies se desaparecer.