Caminhos para conservação

Os conservacionistas estão longe de conseguir ajudar todas as espécies ameaçadas. Isto coloca a questão de se elegerem prioridades como fundamentais para a estratégia de recuperação de espécies ameaçadas. Como podemos dar apoio ao maior número de espécies e ser, ao mesmo tempo, eficientes nos gastos? Pesquisas apontam que eleger regiões prioritárias e espécies que estejam no topo da lista é uma escolha que tem dado bons resultados.

Já que 44% de todas as espécies de plantas e 35% de todas as espécies de vertebrados estão abrigadas em apenas 25 hotspots que cobrem somente 1,4% da superfície terrestre, uma boa saída é concentrar os esforços de conservação nessas regiões.  O conceito de Hotspot foi criado em 1988 pelo ecólogo inglês Norman Myers para resolver um dos maiores dilemas dos conservacionistas: quais as áreas mais importantes para preservar a biodiversidade na Terra?

Ao observar que a biodiversidade não está igualmente distribuída no planeta, Myers procurou identificar quais as regiões que concentravam os mais altos níveis de biodiversidade e onde as ações de conservação seriam mais urgentes. Ele chamou essas regiões de hotspots.

Hotspot é, portanto, toda área prioritária para conservação, isto é, de alta biodiversidade e ameaçada no mais alto grau. É considerada Hotspot uma área com pelo menos 1.500 espécies endêmicas de plantas e que tenha perdido mais de 3/4 de sua vegetação original.

A Mata Atlântica é um dos hotspots mundiais, junto com a Ilha de Madagascar, as montanhas do sudoeste da China ou a floresta de Guiné no oeste da África.

Existem várias organizações não-governamentais (ONGs) que defendem os Hotspots do planeta e que aceitam trabalho voluntário. Colaborar com elas é uma forma de fazer algo para combater a extinção em massa de espécies. Veja uma lista delas no item Mais informações.

Além disso, várias instituições científicas e ONGs têm trabalhado para reproduzir em cativeiro espécies ameaçadas. O urso-panda, uma das principais espécies-bandeiras (símbolo das campanhas pela preservação de animais), é um animal de difícil reprodução fora do seu habitat. Os biólogos fazem de tudo para provocar o acasalamento. No zoológico de San Diego, na Califórnia (EUA), eles conseguiram provocar o nascimento do quarto filhote em cativeiro até setembro de 2007. Já na Tailândia, a administração de um zoológico tentou provocar o acasalamento de casal de ursos exibindo vídeos com outros pandas cruzando, mas não obteve sucesso. Nesses casos, os biólogos acabam usando técnicas de inseminação artificial.

Outra técnica usada para evitar a extinção é a captura de filhotes de espécies ameaçadas em clara situação de perigo. Nesse caso, o crescimento do animal é acompanhado e depois ele é solto no seu habitat natural. O Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia (Inpa) criou dois filhotes de peixe-boi nas suas dependências em Manaus, Amazonas, e soltou as espécies em setembro de 2007, em caráter experimental para acompanhar o comportamento dos animais.

Outra saída é a utilização de bancos genéticos, modelo muito usado para a preservação de vegetais, para a conservação de espécies ameaçadas.

Há também trabalhos que cuidam de evitar a matança de espécies assim que nascem como é o caso do Projeto Tamar, que ajuda a salvar as tartarugas marinhas.

União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais

A União Internacional para a Conservação ou União Internacional pela Natureza é a maior rede mundial de conservação. Congrega 83 países, 110 agências governamentais e mais de 800 organizações não-governamentais (ONGs) e mais de 10 mil cientistas e pesquisadores independentes de 181 países

O principal objetivo da União Internacional para a Conservação é influenciar, encorajar e dar suporte a sociedades pelo mundo em seus esforços de conservar a integridade e diversidade natural para garantir que qualquer uso dos recursos naturais seja equânime e ecologicamente sustentável.

Desde que foi criada, a lista vermelha da IUCN experimenta um crescente papel de preponderância ao guiar atividades governamentais de conservação, bem como de instituições científicas e atividades de ONGs. As listas são amplamente reconhecidas como as mais completas e apolíticas ferramentas para avaliar o estado de conservação de espécies animais e de plantas. A introdução de um critério científico rigoroso em 1994 para determinar os riscos de extinção aplicáveis a todas as espécies tornou-se um padrão mundial de medida. O sistema de gerenciamento de informação das listas vermelhas da IUCN é chamado de Species Information Service, que provê acesso à riqueza de biodiversidade que existe em nosso planeta.