Conceito de extinção

Autor: 
Sylvia Estrella

Em biologia e ecologia, extinção é o desaparecimento de espécies, subespécies ou grupos de espécies. O momento da extinção é geralmente considerado como sendo a morte do último indivíduo da espécie. Em espécies com reprodução sexuada, a extinção de uma espécie é geralmente inevitável quando há apenas um indivíduo restando, ou apenas indivíduos de um mesmo sexo.

A extinção também é uma questão de escala geográfica. A extinção local é a extinção de uma população em uma determinada região e não necessariamente de toda a espécie. Isso, em biogeografia, é um fator importante no delineamento da distribuição geográfica das espécies. Eventos de mudanças climáticas, por exemplo, podem levar à extinção local de populações e, assim, configurar os padrões de distribuição das espécies.

Atualmente muitos ambientalistas e governos estão preocupados com a extinção de espécies devido à intervenção humana. As causas da extinção incluem poluição, destruição do habitat, introdução de novos predadores e, inclusive, tráfico de animais. Espécies ameaçadas são espécies que estão em perigo de extinção. Extintas na natureza é uma expressão usada para espécies que só existem em cativeiro.

Critérios para avaliar a extinção

A lista de animais em extinção mais completa do mundo é a elaborada pela International Union for Nature Conservation (IUNC), ou União Internacional para a Conservação da Natureza (ver box sobre a instituição). Nesta lista, publicada desde os anos 90, estão desde as espécies extintas, classificadas lá como (EX) até as que não sofrem ameaças diretas a sua sobrevivência (LC).

Para sua elaboração, existe uma série de critérios científicos. Como por exemplo: é analisada a população daquela espécie em escala global, ou seja, a presença daquela espécie no planeta. Mas não é só isso. Para os seres vivos que se reproduzem de forma sexuada, a população é contada como o número de indivíduos em idade que possam procriar.

O espaço de tempo entre as gerações também entra no cálculo do risco de extinção de uma espécie. Quanto maior o espaço entre uma geração e outra, maior o risco de extinção. A diminuição ou aumento do número de indivíduos de uma espécie em idade reprodutiva é outro critério usado para o cálculo dos riscos de extinção. Assim como as flutuações extremas no número de indivíduos, fragmentação da população, extensão da ocorrência e área ocupada pela espécie entram na avaliação. Pessoas ou equipes de pesquisadores podem alimentar o banco de dados da União Internacional para a Conservação da Natureza. Para isso, basta seguir as diretrizes que a instituição propõe em seu site na internet.

Vários tipos de extinção

Uma espécie pode ser completamente destruída, estar ameaçada de extinção, ou não correr riscos. Uma espécie em extinção é uma espécie cujas populações estão decrescendo a ponto de colocá-la em risco. Muitos países têm legislação que protege estas espécies, proibindo a caça e protegendo seus habitats, mas essa legislação tem se demonstrado insuficiente para evitar que um número crescente de espécies deixe de existir, sem que se tenha notícia deste fato.

Não há consenso sobre os critérios de inclusão de uma espécie na lista das ameaçadas. Há uma interpretação corrente de que a preservação de espécies ameaçadas é incompatível com a exploração econômica do ambiente em que vivem, que deveria ser preservado como um santuário ecológico intocável.

Isto é verdade em alguns casos extremos, mas não em todos. Cresce o número de propostas de uso econômico sustentável de habitats naturais, combinando agricultura com preservação da cobertura vegetal e portanto da diversidade da flora e da fauna.

O estado de conservação de uma espécie é um indicador da probabilidade de que esta espécie ameaçada continue a existir. Os fatores usados nesta classificação incluem a amplitude de distribuição da espécie, o nível de ameaça a que está sujeita, a variação do tamanho da população, e outros.

Entre as classificações do estado de conservação das espécies animais e vegetais, a Lista Vermelha da UICN (União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais) é a mais conhecida. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) também publica uma lista dos animais em extinção.

Em 22 de maio de 2003, o Ministério do Meio Ambiente e o Ibama publicaram a nova Lista da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção , com a qual a Conservation International (CI) colaborou, juntamente com a Fundação Biodiversitas, a Sociedade Brasileira de Zoologia e o Instituto Terra Brasilis.

Categorias de extinção

A União Internacional para a Conservação da Natureza usa as seguintes categorias, em parânteses, aparece o código usado internacionalmente para cada uma:

  • Extinta (EX) - o último representante de espécie já morreu, ou se supõe que tenha morrido. Exemplo: Dodo.
  • Extinta na natureza (EW) - existem indivíduos em cativeiro, mas não há mais populações naturais. Exemplo: Dromedário.
  • Crítica ou criticamente ameaçada (CR) - sofre risco extremamente alto de extinção num futuro próximo. Exemplo: peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis).
  • Em perigo (EN) - sofre risco muito alto de extinção num futuro próximo. Exemplo: Beija-flor do rabo em tesoura (Hylonympha macrocerca), na Espanha, pardais e porcos-espinho no Reino Unido.
  • Vulnerável (VU) - sofre alto risco de extinção a médio prazo. Exemplos: Chita, Camelo da Báctria.
  • Quase ameaçada (NT) - ainda não sofre risco de extinção, mas as ameaças sobre ela são crescentes. Exemplo: Onça-pintada (Panthera onca).
  • Segura ou pouco preocupante (LC) - não sofre ameaça imediata a sua sobrevivência. Exemplo: jacaré-do-pantanal (Caiman crocodilus yacare).