Charles Darwin e a teoria da seleção natural

Autor: 
Alexandre Indriunas

As teorias do naturalista inglês Charles Robert Darwin (1809 – 1882) acrescentaram pontos vitais para a compreensão do evolucionismo, sendo considerado por muitos uma das figuras mais importantes da ciência. Para analisar os principais pontos de sua teoria primeiramente vamos conhecer os fatos relevantes de sua vida.

Charles Darwin
Enciclopédia Delta universal
Charles Darwin

Nascido em um ambiente abastado intelectual e financeiramente, o jovem Charles Darwin pôde ao completar seus estudos na escola local, em Sherwsbury, e iniciar o curso de medicina em Edimburgo, porém ao cabo de dois anos (1825 a 1827) abandonou os estudos e encaminhou-se a Faculdade de Estudos Cristãos na Universidade de Cambridge para cursar Teologia. Durante sua estadia em Cambridge, Darwin criou uma forte amizade com o padre e botânico John Stevens Henslow, de onde surgiu seu verdadeiro interesse pelo naturalismo. Graças a sua sede de conhecimento e a influência de seu amigo, Darwin foi convidado a embarcar como acompanhante do capitão Fitz Roy no navio Beagle em uma expedição de aproximadamente cinco anos ao redor do mundo com a missão de completar dados cartográficos para a Marinha Inglesa. Muito embora não fosse o naturalista oficial do navio, cargo ocupado pelo cirurgião Robert McCormick, Darwin teve uma grande oportunidade de coletar materiais e observar a exuberante natureza dos trópicos.

O Beagle
Imagem cedida pelo site Darwin On line
Planta do navio Beagle

Zarpando de Plymouth, Inglaterra, em dezembro de 1831 com o intuito de melhor mapear o Hemisfério Sul, o veleiro Beagle retornaria somente em outubro de 1836. Sua primeira escala foi nas ilhas Canárias seguida da estadia no Cabo Verde, durante o mesmo ano após cruzar o Atlântico suas paradas foram em Salvador, Rio de Janeiro, Montevidéu, Punta Alta e Terra do Fogo. Continuando seu trajeto ancorou nas Ilhas Malvinas, cruzou o Estreito de Magalhães e seguindo pela costa do Chile no ano de 1835 até as Ilhas Galápagos nos meses de setembro e outubro. Após cruzar o Oceano Pacífico chegando a Austrália em janeiro de 1836 o Beagle continuou sua viagem pelas Ilhas Keeling, Ilhas Maurício, cruzando o Cabo da Boa Esperança entre os meses de maio e junho e sua última parada antes de retornar a Inglaterra foi em Pernambuco.

Pouco importa o que Charles Darwin levou em suas malas no início da viagem, mas a bagagem que trouxe serviu de material para desenvolver uma obra que transformaria o mundo. Não somente o material colhido em sua volta ao mundo, mas também a observação e pesquisa sobre a criação de animais e o cultivo de plantas contribuíram para escrever “A origem das espécies” (mais precisamente “A origem das espécies por meio da seleção natural, ou a preservação das raças favorecidas na luta pela vida”). Lançado em 1859 sua primeira edição de 1250 exemplares se esgotou no mesmo dia.

Vários historiadores e biógrafos especulam sobre a demora do lançamento em mais de 20 anos desde sua viagem a bordo do Beagle a vários motivos, mas concordam que ele sabia que suas idéias causariam alvoroço e repercussão. Em 1844, ele já havia deixado aos cuidados de sua esposa um manuscrito com sua teoria que ela deveria publicar, caso ele viesse a falecer.
Charles Darwin durante sua viagem teve a oportunidade de aportar no arquipélago de Galápagos, e nestas ilhas inóspitas habitavam tartarugas, as quais os marinheiros levavam consigo como provisão de alimento durante suas viagens. Eles diziam que poderiam indicar de qual das ilhas do arquipélago eram originadas as tartarugas pela forma de seus cascos, por exemplo, as originárias da Ilha Isabela têm a carapaça em forma de domo e as, da Ilha Espanhola, têm a carapaça em forma de sela. Estas formas estão relacionadas com adaptações ao ambiente, assim as em forma de domo protegem suas partes moles da vegetação rasteira, pois vivem numa ilha que possui uma vegetação relativamente mais exuberante, e as em forma de sela permitem que elas ergam muito mais a cabeça em busca de alimento, pois é onde predominam cactos e arbustos espinhosos.

Tartarugas das ilhas de Galápagos
Imagem cedida pelo site Darwin on-line
As tartarugas das ilhas de Galápagos foram
fundamentais para as teorias de Darwin

Além dessas conclusões outras surgiram da observação das práticas agropecuárias. Há muito, desde os primórdios da civilização, os homens selecionam entre as plantas e os animais aqueles que possuem as características desejadas cultivando-as e cruzando-as, descartando as que não possuem as características desejadas. Esta prática é hoje conhecida como melhoramento genético tradicional.

Mas, afinal o que há de tão revolucionário em suas observações e conclusões? O que há de peculiar em sua teoria? Vamos entendê-la.
Darwin postulava que toda a diversidade de vida se originava de um ancestral comum que evoluiu através de múltiplas e sucessivas vias divergentes, tendo formas ancestrais e formas derivadas, originadas das primeiras. E esse processo é puramente material e mecânico, excluindo aqui qualquer noção de intenção divina de organização e complexidade, pois a seleção natural, mecanismo fundamental de sua teoria evolucionista, privilegia a sobrevivência dos mais aptos em detrimento a dos menos aptos. A idéia de economia natural, onde os seres viveriam sob o espectro da harmonia divina, já havia sido abalada por Lamarck, mas retirar dos organismos a finalidade de evoluir era um pressuposto muito incômodo para a época. Os seres que fossem capazes de, numa competição por alimento, território ou parceiros, superar seus adversários teriam mais chances de se reproduzir e transmitir suas características superiores aos seus descendentes.

Mas, como um ser, animal ou planta, se modifica? Darwin aludia isso a pequenas variações nos organismos, geradas pelo acaso, e quando estas variações eram úteis para a sobrevivência, tornando os mais aptos, estes sobreviveriam, mas se essa alteração fosse deletéria ou não o provesse de vantagens adaptativas ao meio e a competição, eles não viveriam para transmiti-las aos seus descendentes. Para melhor entender esse mecanismo vamos comparar as idéia do “pescoço da girafa” exposto para exemplificar a teoria de Lamarck. Para Darwin não seria o alongamento voluntário do pescoço que faria com que as girafas evoluíssem para as de pescoço comprido, mas imaginemos um grupo das mesmas girafas primitivas, de pescoço pequeno, em um ambiente onde não abundassem plantas pequenas, e que nesse grupo, pelo acaso nascessem algumas com um pescoço um pouco maior. Numa situação dessas, elas levam vantagem, pois podem mais facilmente alcançar as copas das árvores, e como isso dispor de mais alimento, as de pescoço menor não conseguiriam, e poderiam sucumbir de fome, ou mesmo não competir para se reproduzir. Quem ganharia o páreo? As com pescoço maior! Elas teriam mais chances de sobrevivência e reprodução, e conseqüentemente transmitir sua característica vantajosa para os seus filhotes. E do mesmo modo que acontecia na teoria de Lamarck, geração após geração, os pescoços das girafas iriam aumentando, mas diferentemente dele, Darwin afirma que não seria por uso e desuso, mas porque aquelas que têm o pescoço maior têm mais chances. O mecanismo de transmissão das características continuou sendo a herança dos caracteres adquiridos, tal qual consolidado por Lamarck.

Resumidamente podemos dizer que a teoria de Darwin diz que os seres evoluem através do tempo através do mecanismo da seleção natural.