Lamarck e a primeira grande teoria da evolução

Autor: 
Alexandre Indriunas

O primeiro cientista a desenvolver uma teoria da evolução considerada completa foi o francês Jean-Baptiste Pierre Antoine de Monet, Cavalheiro de Lamarck (1744-1829) no início do século 19, ao longo de sua obra e com maior repercussão através do seu livro Filosofia Zoológica (Philosophie Zoologique) de 1809.

Lamarck, assim como seus contemporâneos, acreditava na lei da geração espontânea, para ele os primeiros seres a habitarem o planeta seriam microorganismos originados de algo “não-vivo”.

Mas como a partir de seres tão simples pode-se chegar a organismos multicelulares e complexos? A resposta seria que há uma tendência intrínseca nos organismos que leva a níveis organizacionais cada vez mais complexos com o passar do tempo. Assim, seres simples tenderiam a evoluir a seres complexos resultando no homem.

Muito bem, mas e como isso acontece? Ai está um “pulo do gato” de sua teoria, a lei do uso e desuso. Resumidamente é “o que não se usa atrofia, o que se usa fortalece”, ou seja, estruturas e órgãos que são utilizados com mais freqüência e intensidade tornam-se mais desenvolvidos e adaptados às necessidades que o meio, ou a natureza, impõe e aquilo que não tem serventia e não é utilizado atrofia e se reduz. Isso explicaria as diferenças das estruturas como dentes, mandíbulas, patas, olhos ou estômago entre as mais diversas espécies de animais.

E como isso pode mudar uma espécie? Lamarck responde a isso afirmando que estas características desenvolvidas pela necessidade de adaptação ao meio são transmitidas aos seus descendentes, empregando o conceito da herança dos caracteres adquiridos. O exemplo clássico é o do pescoço das girafas, para tanto vamos imaginar que as “girafas” antigas possuíssem pescoço pequeno, bem menor que os das atuais, e, para comer as folhas das copas de árvores elas deveriam esticar e repetidamente continuar esticando cada vez mais seu pescoço, e esse esforço direcionado levaria ao alongamento gradativo. Assim, o alongamento do pescoço (uso) seria transmitido para os seus descendentes. Seus filhotes teriam pescoços mais longos que as gerações anteriores e com o passar do tempo, e muito alongamento de pescoço, geração após geração, as girafas de pescoço curto se transformariam nas de pescoço longo, as atuais.

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O exemplo clássico da teoria de Lamarck é o das girafas

Assim, através de ajuste ao meio, a herança dos caracteres adquiridos transmitida as gerações seguintes, tendo o uso e desuso como mecanismo, aliado a tendência natural de aperfeiçoar-se, levaria evolução das espécies.
Um ponto importante na teoria de Lamarck, que posteriormente seria chamada de lamarckismo, é o fato dele não mencionar qualquer utilidade ás modificações que os seres sofreram, ou seja, um bico de um pássaro não se torna mais forte para quebrar uma castanha, ou os olhos de um predador não se tornam mais acurados para visualizar sua presa, e, sim de tanto quebrar castanhas e por espreitar as presas essas estruturas se desenvolvem... Não existe a finalidade, ele fornece uma teoria de como e não porque das modificações, da evolução das espécies. Lamarck explica que os grandes quadrúpedes herbívoros possuem o “hábito de consumir, todos os dias, grandes volumes de matéria alimentar que distendem os órgãos que os recebe” e “possuem o hábito de “não fazerem mais que movimentos lentos” e isso resulta em que “os corpos desses animais engrossaram consideravelmente, tornaram-se pesados e maciços, e adquiriram um volume muito grande como se vê em elefantes, rinocerontes, vacas, búfalos e cavalos.” Por outro lado em regiões onde há predadores, eles são obrigados a correr, assim, antílopes e gazelas são mais esbeltos devido ao fato de correr. Mas, essas características são uma adaptação para a corrida, são um efeito da corrida.

É importante salientar que embora Lamarck tenha o merecido crédito pela sua obra e teoria, mas, outros contemporâneos a ele compartilharam de idéias como a sua. Um exemplo foi o de seu amigo, o médico inglês, Erasmus Darwin (1731 - 1802), um pioneiro na concepção da herança dos caracteres adquiridos e em tópicos evolutivos como a seleção sexual onde o macho mais apto compete para propagar a espécie aprimorando-a, apresentadas em sua obra mais importante “Zoonomia, or, The Laws of Organic Life” (1794). Mas, o “Darwin” que entrou definitivamente para a história e revolucionou o pensamento ocidental foi seu neto, Charles Robert Darwin.