Antes do evolucionismo

Na antiguidade vários filósofos gregos e romanos buscaram explicar a origem da vida, das espécies e até mesmo suas transformações. Anaximandro de Mileto (610-546 a.C.), Empédocles (493-433 a.C.), Aristóteles (348-322 a.C.) e Lucrécio (99-55 a.C.) já elaboraram teorias que iram perdurar durante séculos no ocidente sendo, por um bom período de tempo, abafadas pela concepção do fixismo criacionista e posteriormente repensadas.

As espécies teriam sido criadas por Deus e seriam imutáveis. O criacionismo, baseado na Bíblia, mais precisamente no livro da Gênese, não podia conceber que os animais mudassem, se transformassem, pois Deus os havia criado como são, este conceito é a base do fixismo criacionistas. Sendo a idéia de mudanças dos organismos uma idéia herege.

Porém com as transformações do pensamento ocidental através dos séculos muitas releituras dos filósofos greco-romanos deram outro viés a compreensão do mundo. Até meados do século 18, a sabedoria e a bondade divinas justificavam a grande diversidade de formas que os seres vivos apresentavam, porém as antigas teorias da geração espontânea, onde organismos poderiam surgir a partir de matéria inanimada, e a dos germes da vida, fluidos vitais que impregnariam e gerariam os seres, serviram para explicá-las.

Por exemplo, em sua obra, o físico, matemático e astrônomo francês Pierre-Loius Moreau de Maupertuis (1698-1759) traz considerações a cerca da origem das espécies a partir da sua observação da embriologia e de suas concepções metafísicas. A idéia do acaso, da atração de partículas que gerariam os primeiros organismos, bem como a atração do fluídos germinais que produziriam um embrião, não são meramente fortuitas, mas sim regidas pela divina Providência; aqui temos tanto o princípio da geração espontânea (a atração das partículas) e a presença dos germes da vida (fluídos germinais), sem atentar contra a influência religiosa (a finalidade da providência divina).

Desde a descoberta do Novo Mundo e da instalação das colônias européias, inúmeras expedições de naturalistas coletaram, capturaram, descreveram e trouxeram vivos ou mortos quantidades fabulosas de representantes da fauna e flora dos quatro cantos do mundo, além de incontáveis fósseis. Com todo esse material levado aos centros de estudo e museus da Europa, os cientistas possuíam, então, um vasto material e passaram a classificar e investigar as diferenças entre os seres vivos como nunca fora feito.

Deve-se ter em mente que os cientistas da época já entendiam as correlações entre os seres e entendiam suas relações regidas pela “economia natural”, que nada mais seria que a disposição dos seres, regida por Deus, segundo tais seres tendem a fins comuns e possuem funções recíprocas. O ambiente também influenciava assim, do fruto destes estudos surgiram teorias que buscavam explicar a diversidade, como a elaborada pelo naturalista francês, George Luis Leclerc (1707-1788), Conde de Buffon, como viria a ser conhecido, na qual as diferenças dependiam das influências do clima e dos alimentos, as quais definiriam certas características morfológicas, assim certos animais poderiam, por exemplo, desenvolver seus cornos e chifres, se ali estivessem mais nutrientes necessários para isso do que em outra região onde fossem menos abundantes. Buffon também dispensou muito de seu empenho em assuntos relacionados à distribuição e variação geográfica dos seres vivos.

Já o termo evolução foi originalmente proposto, em 1744, pelo cientista alemão Albrecht von Haller para descrever o desenvolvimento dos embriões, ou do ovo até sua fase adulta. E de certo modo seu emprego para designar o surgimento e alterações dos organismos vivos mudou seu significado a partir das teorias atualmente conhecidas como evolucionistas.