Seleção natural

Como você viu na seção anterior, as mutações são um processo aleatório e constante. Enquanto ocorrem, a seleção natural decide que mutações sobreviverão e quais desaparecerão. Se a mutação for prejudicial, o organismo que a apresenta terá uma chance muito menor de sobreviver e de se reproduzir. Se a mutação for benéfica, o organismo que a apresenta sobreviverá e se reproduzirá, e a mutação será passada para os seus descendentes. Assim, a seleção natural guia o processo evolutivo para incorporar apenas as boas mutações na espécie e eliminar as mutações nocivas.

O livro "Extinct Humans" (Humanos Extintos), de Ian Tattersall e Jeffrey Schwartz, coloca a questão da seguinte maneira:

 

...em cada geração, há uma taxa de nascimento de indivíduos que é maior que a taxa dos mesmo que sobrevivem até a maturidade e a reprodução. Aqueles que têm sucesso, ou seja, os mais aptos, trazem em si características transmissíveis que não apenas promovem sua própria sobrevivência, mas também são passadas preferencialmente para seus descendentes. Sob esta perspectiva, a seleção natural nada mais é do que a soma de todos os fatores que agem no sentido de promover o sucesso reprodutivo de alguns indivíduos (e sua ausência em outros). Acrescente a dimensão do tempo, e ao longo de gerações a seleção natural agirá no sentido de alterar a complexidade de cada linhagem em evolução, à medida que variações vantajosas tornam-se comuns na população às custas daquelas menos vantajosas.

Observaremos agora um exemplo de seleção natural extraído de Como funcionam as baleias.

Os ancestrais das baleias viviam na terra. Existem evidências de que a baleia evoluiu da vida na terra para a vida no mar (leia Como funcionam as baleias para detalhes). Mas como e por que isso aconteceu? O "por que" geralmente é atribuído à abundância de alimentos no mar. Basicamente, as baleias foram onde estava a comida. O "como" é um pouco mais complicado: baleias são mamíferos, como os humanos, e como nós viviam e se moviam em terra firme, respirando ar em seus pulmões. Como então se tornaram criaturas marinhas? Um aspecto desta evolução, de acordo com Tom Harris, autor de Como funcionam as baleias, é explicado da seguinte maneira:

 

... para fazerem esta transição, as baleias tiveram que superar inúmeros obstáculos. Em primeiro lugar, tiveram que lidar com o acesso reduzido ao ar respirável. Isso levou a várias adaptações notáveis. O "nariz" das baleias saiu da face e foi parar no alto de sua cabeça. Este orifício de respiração permite que respirem sem emergirem totalmente. Em vez disso, uma baleia nada próximo à superfície, arqueia o corpo emergindo brevemente as costas e, então, flexiona a cauda, impelindo-a rapidamente a profundidades maiores.


Poto cedida por Sea World Orlando

Embora pareça estranho o "nariz" da baleia ter realmente trocado de posição, a teoria da evolução explica este fenômeno como um longo processo, que leva milhões de anos para ocorrer:

  • a mutação aleatória resultou em pelo menos uma baleia cujas informações genéticas colocaram seu "nariz" mais para cima, em sua cabeça;
  • as baleias com esta mutação estavam mais equipadas para o ambiente marinho (onde a comida estava) que as baleias "normais", de modo que sobreviveram e se reproduziram, passando esta mutação genética para seus descendentes: a seleção natural "escolheu" esta característica como favorável;
  • em gerações sucessivas, mutações adicionais colocaram o nariz mais para trás na cabeça, porque as baleias com esta mutação estavam mais propensas a se reproduzir e a passar seu DNA alterado às próximas gerações. Finalmente, o nariz da baleia chegou à posição em que o vemos hoje.

A seleção natural escolhe as mutações genéticas que tornam o organismo mais adequado ao seu ambiente e, portanto, mais propenso a sobreviver e a se reproduzir. Assim, os animais da mesma espécie que terminam em ambientes diferentes podem evoluir de forma completamente distintas.