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Marshall Brain - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Questão 3: qual a primeira célula humana que adquiriu vida?
Para que os princípios da mutação e seleção natural na teoria da evolução funcionem, é preciso que existam coisas vivas sobre as quais possam operar. A vida deve existir, antes de poder se diversificar. A vida teve que vir de algum lugar, e a teoria da evolução propõe que ela surgiu espontaneamente de elementos químicos inertes do planeta Terra, talvez quatro bilhões de anos atrás.
Como a vida pôde surgir espontaneamente? Se você ler Como funcionam as células, verá que até mesmo uma célula primitiva como a bactéria E. coli, uma das formas de vida mais simples existentes hoje, é incrivelmente complexa. Seguindo o modelo da E. coli, uma célula teria que conter, em um mínimo absoluto:
- uma parede celular de alguma natureza, para conter a célula;
- um mapa genético para a célula (na forma de DNA);
- uma enzima capaz de copiar informações do mapa genético para a produção de novas proteínas e enzimas;
- uma enzima capaz de produzir novas enzimas, juntamente com todos os blocos de construção para essas enzimas;
- uma enzima que possa construir paredes celulares;
- uma enzima capaz de copiar o material genético, em preparação para a divisão celular (reprodução);
- uma enzima ou enzimas capazes de cuidar de todas as outras operações de divisão de uma célula em duas, para implementar a reprodução (por exemplo, algo precisa separar a segunda cópia do material genético da primeira, e depois a parede celular precisa dividir-se e se fechar, nas duas novas células);
- enzimas capazes de produzir moléculas de energia para que todas as enzimas mencionadas anteriormente possam funcionar.
Obviamente, a própria célula de E. coli é o produto de bilhões de anos de evolução, de modo que é complexa e intricada, muito mais complexa que as primeiras células existentes. Ainda assim, as primeiras células vivas precisavam possuir:
- uma parede celular;
- a capacidade para manter e expandir a parede celular (crescer);
- a capacidade de processar "alimento" (outras moléculas que flutuam fora da célula) para a criação de energia;
- a capacidade para dividir-se para a reprodução.
De outro modo, ela não será realmente uma célula e não se poderá dizer que está viva. Para tentarmos imaginar uma célula primordial com essas capacidades que se crie espontaneamente, vale a pena considerar algumas suposições simplificadoras. Por exemplo:
- talvez a molécula original de energia fosse muito diferente do mecanismo encontrado nas células vivas atuais, e as moléculas de energia fossem abundantes e estivessem flutuando livremente no ambiente. Portanto, a célula original não teria tido que produzi-las;
- talvez a composição química da Terra conduzisse à produção espontânea de cadeias de proteína, de modo que os oceanos continham volumes inimagináveis de cadeias aleatórias e enzimas;
- talvez as paredes das primeiras células foram formando esferas de natureza lipídica naturalmente, que capturavam aleatoriamente diferentes combinações de elementos químicos;
- talvez, ainda, o primeiro mapa genético fosse alguma coisa diferente de DNA.
Esses exemplos realmente simplificam as exigências para a "célula original", mas ainda estamos longe da geração espontânea da vida. Talvez as primeiras células vivas fossem completamente diferentes das que vemos hoje, e ninguém ainda tenha imaginado como podem ter sido. Falando em termos gerais, a vida pode ter vindo apenas de dois locais possíveis:
- criação espontânea - processos químicos aleatórios criaram a primeira célula viva;
- criação sobrenatural - Deus ou algum outro poder sobrenatural criou a primeira célula viva.
Além disso, não importa muito se extraterrestres ou meteoritos trouxeram a primeira célula viva à Terra, porque os extraterrestres teriam iniciado sua existência por criação espontânea ou por criação sobrenatural, em algum momento algo certamente precisou criar as primeiras células alienígenas.
Mas provavelmente, ainda levará muitos anos para que os estudos respondam a qualquer das três questões apresentadas aqui. Uma vez que o DNA foi descoberto apenas na década de 50, as pesquisas sobre esta molécula complexa ainda estão em sua infância, e ainda temos muito a aprender.