As estrelas ao nosso redor se movimentam em relação a sistema solar. Algumas se afastam e outras vêm em nossa direção. O movimento das estrelas afeta os comprimentos de onda da luz que recebemos delas, assim como o som agudo da sirene de um carro de bombeiros que se torna mais grave quando passa por nós. Esse fenômeno é chamado de efeito Doppler. Medindo-se o espectro da estrela e comparando-o com o espectro de uma lâmpada padrão, é possível medir a intensidade do desvio Doppler. A intensidade do desvio Doppler nos informa a velocidade com que a estrela se move em relação a nós. Além disso, a direção do desvio Doppler pode nos dizer a direção do movimento da estrela. Se o espectro de uma estrela se desvia para a extremidade azul, então a estrela se move em nossa direção; se o espectro se desvia para a extremidade vermelha, então ela se afasta de nós. Do mesmo modo, se uma estrela gira sobre seu eixo, o desvio Doppler de seu espectro pode ser usado para medir sua taxa de rotação.
Assim, você pode ver que podemos dizer muita coisa sobre uma estrela a partir da luz que ela emite. Além disso, os astrônomos amadores de hoje encontram dispositivos como grandes telescópios, CCDs e espectroscópios disponíveis no comércio a um custo relativamente baixo, portanto, podem fazer os mesmos tipos de medições e pesquisas estelares que costumavam ser feitos exclusivamente por profissionais.
Classificação das estrelas: agrupando as propriedades
No começo do século XX duas astrônomas, Annie Jump Cannon e Cecilia Payne, classificaram os espectros das estrelas de acordo com suas temperaturas. Na verdade, Cannon fez a classificação e, posteriormente, Payne explicou que a classe espectral de uma estrela era, de fato, determinada pela temperatura.
| O | Violeta azulada | 30 mil | Mintaka (delta Orionis) |
| B | Branca azulada | 20 mil | Rigel, Spica |
| A | Branca | 10 mil | Vega, Sirius |
| F | Branca amarelada | 8 mil | Canopus, Prócion |
| G | Amarela | 6 mil | Sol, Capella |
| K | Laranja | 4 mil | Arcturus, Aldebarã |
| M | Laranja avermelhada | 3 mil | Antares, Betelgeuse |
Em 1912, o astrônomo dinamarquês Ejnar Hertzsprung e o astrônomo americano Henry Norris Russell fizeram independentemente um gráfico de luminosidade versus temperatura para milhares de estrelas e encontraram uma relação surpreendente, conforme mostrado abaixo. Esse diagrama, chamado de diagrama Hertzsprung-Russell ou diagrama H-R, revelou que a maioria das estrelas se distribui ao longo de uma suave linha curva diagonal chamada seqüência principal, com estrelas quentes e luminosas na parte superior esquerda e as estrelas mais frias e fracas no canto inferior direito. Fora da seqüência principal há estrelas frias e brilhantes no canto superior direito e estrelas quentes e fracas no canto inferior esquerdo.
![]() Foto cedida pela NASA Diagrama Hertzsprung-Russell. Aqui são mostrados o Sol, as 12 estrelas mais brilhantes do Hemisfério Norte e as estrelas anãs brancas companheiras de Sirius e Prócion. |
Se aplicarmos a relação entre a luminosidade e o raio ao diagrama H-R, descobriremos que o raio das estrelas aumenta à medida que você se desloca diagonalmente da parte inferior esquerda para a superior direita:
O diagrama H-R resume os tipos de estrelas no Universo:
| Ia | Supergigantes brilhantes | Rigel, Betelgeuse |
| Ib | Supergigantes | Polaris (a estrela do Norte), Antares |
| II | Gigantes brilhantes | Mintaka (delta Orionis) |
| III | Gigantes | Arcturus, Capella |
| IV | Subgigantes | Altair, Achenrar (uma estrela do Hemisfério Sul) |
| V | Seqüência principal | Sol, Sirius |
| não classificadas | Anãs brancas | Sirius B, Prócion B |
As estrelas anãs brancas não são classificadas porque seus espectros estelares são diferentes dos da maioria das outras estrelas. O diagrama H-R também é muito útil para a compreensão da evolução das estrelas desde o nascimento até a morte.