Ciência da microgravidade
A gravidade influencia muitos processo físicos na Terra. Ela altera a maneira dos átomos se juntarem e formarem um cristal. Na microgravidade, cristais quase perfeitos podem ser formados. Tais cristais podem render melhores semi-condutores para computadores mais rápidos, ou drogas mais eficientes para combater doenças.
![]() Imagem cedida pela NASA Vela queimando na microgravidade |
Outro efeito da gravidade é que ela causa correntes de calor para formar uma chama, tornando-a instável. Isso faz com que o estudo da combustão seja muito difícil. Entretanto, na microgravidade acontece um simples, firme e lento processo de combustão; este tipo de chama deixa o estudo do processo de combustão mais fácil. Os resultados podem ajudar na produção: compreendendo melhor o processo de combustão, é possível aperfeiçoar os projetos de fornos ou reduzir a poluição, tornando a combustão mais eficiente.
A ISS será equipada com um moderno laboratório para estudar os efeitos da microgravidade nestes processos.
Ciência da vida
A vida que conhecemos está envolvida em um mundo com gravidade. Nossa forma física é baseada e influenciada pela gravidade. Temos esqueletos que ajudam contra a força da gravidade. Nosso sentido pode nos orientar porque temos senso de gravidade. Porém, como a gravidade influencia os outros seres vivos? A ISS nos dá a oportunidade de estudar plantas e animais na ausência de gravidade. Por exemplo, quando a semente de uma planta brota, a raiz cresce para baixo e os galhos e as folhas, para cima (gravitropismo); de alguma forma, as plantas jovens têm senso de gravidade para fazer isso. Porém, o que aconteceria se as sementes crescessem sem gravidade? Esse tipo de experimento pode ser feito na ISS.
Um longo tempo de exposição à falta de gravidade causa a perda de cálcio nos ossos, nos tecidos dos músculos e fluidos do nosso corpo. Estes efeitos são similares ao envelhecimento (diminuição da força dos músculos, osteoporose). Assim, a exposição à microgravidade pode nos dar novas visões sobre o envelhecimento. Se pudermos desenvolver contra-recursos para prevenir os efeitos degradantes da microgravidade, talvez possamos prevenir alguns efeitos físicos do envelhecimento. A ISS irá oferecer um longo período de exposição à microgravidade que não pode ser obtido em uma nave espacial.
A ISS nos permite testar sistemas de ajuda à vida ecológica similares às formas com que a Terra oferece amparo à vida. Podemos fazer plantas crescerem em largas quantidades no espaço e fazer oxigênio, removendo o dióxido de carbono e fornecendo comida. Esse conhecimento será muito importante para as longas viagens interplanetárias, tais como as viagens para Marte ou Júpiter.
Ciência da Terra
A órbita da ISS cobrirá 75% da superfície terrestre para observação. Com os instrumentos a bordo, os astronautas estarão aptos a:
![]() Imagem cedida pela NASA/ JPL Imagem do radar da base do Cabo Cod MA, mostrando florestas (verde), pântanos (azul-escuro), áreas desenvolvidas (rosa) e lagos e áreas de areia (preto) |
Os dados recolhidos desses estudos nos ajudarão a entender como a biosfera terrestre trabalha e como minimizar a degradação do meio ambiente.
Ciência Espacial
A ISS estará numa plataforma orbitando sobre a atmosfera da Terra. Como o telescópio espacial Hubble, telescópios a bordo da ISS poderão ter uma visão do Sol, das estrelas e dos planetas, sem a interferência da atmosfera terrestre. Os instrumentos a bordo da ISS olharão os planetas próximos a outras estrelas e procurarão em galáxias distantes por sinais da origem do universo. Instrumentos na ISS serão concertados e trocados mais facilmente do que aqueles no telescópio espacial Hubble.
Desenvolvimento e pesquisa para a engenharia
A pesquisa e o desenvolvimento de engenharia da ISS será voltado para estudos de efeitos do ambiente espacial nos materiais, desenvolvendo novas tecnologias para exploração espacial, incluindo:
![]() Imagem cedida pela NASA LDEF em órbita visto do ônibus espacial |
![]() Imagem cedida pela NASA Marca no metal do LDEF causado pela exposição prolongada ao oxigênio atômico |
Os materiais podem ser colocados na ISS em plataformas abertas e expostos ao ambiente espacial por muitos anos. Estes materiais poderiam ser trocados mais facilmente do que em satélites. A informação retirada poderia ajudar a produzir materiais melhores para a produção de satélites mais resistentes ao ambiente espacial.
Desenvolvimento de produtos comerciais
Como mencionado acima, cristais mais perfeitos podem ser produzidos a bordo de uma estação espacial, ajudando no desenvolvimento de melhores drogas, catalisadores para extração de petróleo e semi-condutores. Novamente, a ISS terá laboratórios dedicados à produção destes produtos e por muito mais tempo do que nos ônibus espaciais.
As futuras estações espaciais
Estamos apenas começando a desenvolver estações espaciais. A ISS será um grande aperfeiçoamento da Salyut, Skylab e da Mir; mas há ainda um longo caminho de realizações até chegarmos às grandes estações e colônias espaciais idealizadas pelos autores de ficção científica. Nenhuma de nossas estações espaciais têm gravidade por duas razões:
![]() imagem cedida pela NASA Crédito: Rick Guidice Representação artística do interior de uma colônia espacial |
Outra idéia comum se trata de onde uma estação espacial deveria ficar. Como poderíamos vê-la, a ISS precisará de um empurrão periódico por causa da sua posição em relação à órbita da Terra. Entretanto, há dois lugares entre a Terra e a Lua chamados Pontos Lagrange L-4 e L-5. Nestes pontos, a gravidade da Terra e a gravidade da Lua são equilibradas, um objeto que ali ficasse não poderia ser "puxado" nem pela Terra e nem pela Lua. A órbita seria estável e não exigiria empurrões. Uma sociedade chamada L5 foi formada há 20 anos para reforçar a idéia de colocar uma estação espacial em órbita justamente nesses pontos. Como aprendemos mais com nossas experiências na ISS, podemos aperfeiçoar a construção de maiores e melhores estações que permitissem-nos viver e trabalhar no espaço. Assim, nosso sonho poderia se tornar realidade.