Telescópios e velas solares

Desde que foi colocado em órbita, em abril de 1990, o Telescópio Espacial Hubble (em inglês) tem sido a principal ferramenta para a obtenção de imagens do espaço. Mas a simples colocação do Hubble em órbita foi uma importante realização para a NASA. O Hubble tem 13 metros de comprimento, 4 metros de largura e pesa cerca de 11 mil kg. Atualmente, custaria mais de US$25 milhões para colocar tal tipo de estrutura no espaço e isso sem contar os custos dos materiais para construir outro Hubble. Todavia, para ampliar nossa visão do espaço, os cientistas precisam colocar um telescópio ainda mais poderoso em órbita da Terra.

Os cientistas da NASA estão usando atualmente tecnologia inflável para construir um telescópio que tenha quase duas vezes o tamanho do Hubble, mas que tenha somente cerca de um sexto do peso do Hubble. O telescópio de Interferometria avançada de rádio entre o Espaço e a Terra (ARISE) de 25 metros também deixará para trás o Hubble quanto à distância que pode ver no espaço. Conforme primeiras estimativas, o ARISE terá uma resolução 3 mil vezes melhor do que o Hubble. A interferometria é um processo em que se usa mais de uma antena para gerar fotos muito detalhadas. Neste caso, o ARISE será usado para tirar fotos de buracos negros, planetas interestelares e outras estrelas.

Apesar do tamanho bem maior do ARISE, espera-se que seja muito fácil transportá-lo para o espaço. O refletor, ou antena, do telescópio ARISE e as hastes serão fabricados com um avançado material de polímero de filme fino que pode ser dobrado e embalado em um pequeno recipiente, que é então colocado no topo da espaçonave principal. O próprio refletor será composto por uma trama tecida. O recipiente que abrigará o refletor mede somente 0,4 m de altura, com um diâmetro de 1,8 m.


Foto cedida pela NASA
Esta imagem ilustra como o telescópio ARISE será inflado quando for colocado em órbita

Provavelmente, a espaçonave do ARISE será lançada ao espaço a bordo de uma espaçonave menor que as disponíveis hoje. Quando a espaçonave do ARISE chegar à órbita, a antena tecida em rede é liberada, mas não é esta parte do ARISE que realmente se infla. Em vez disso, serão as três hastes, ou lanças, que conectam o anel inflável que circunda a retícula à espaçonave que serão infladas. Para inflar as hastes e o anel inflável, a energia do sol é enfocada sobre um trocador de calor que contém hidrogênio líquido na espaçonave. O calor faz com que o gás se expanda, que então flui para as hastes e para o anel. Assim que as hastes estiverem rígidas, a antena também se tornará rígida. Todo o processo de inflação levará somente alguns minutos.


Foto cedida pela NASA
Velas solares como esta também podem fazer uso da tecnologia inflável. Conforme você pode ver, as velas solares são bem parecidas quanto à construção com o telescópio ARISE.

Em 1996, o ônibus espacial Endeavor lançou um protótipo experimental de antena para testar essa nova tecnologia. Esse protótipo de 14 metros foi inflado com sucesso ao longo de algumas horas e despertou grande interesse para o posterior desenvolvimento de uma espaçonave inflável. A NASA disse que prevê o lançamento do telescópio ARISE em 2008.

A mesma tecnologia usada para desenvolver o telescópio ARISE pode um dia ser usada para construir velas solares que podem impelir a espaçonave para além dos limites do sistema solar a velocidades incríveis. As velas solares serão desenroladas no espaço usando o mesmo processo que infla as hastes do ARISE e o anel inflável. A vela é, na realidade, um espelho ultrafino feito de fibras de carbono que podem capturar a energia do sol para impelir uma espaçonave presa a ela, a velocidades superiores a 324 mil km/h.