É possível encontrar escorpiões em quase todos os habitates do mundo: florestas tropicais, savanas, desertos, montanhas e pradarias. Eles, em geral, se ocultam por sob as rochas e troncos a fim de preservar energia e se manterem refrigerados. Os escorpiões têm olhos múltiplos, como os demais aracnídeos, mas não enxergam bem. Para compensar esse fator, eles estão equipados com sensores especiais conhecidos como pectinas, na porção inferior do abdômen. As pectinas podem detectar trilhas de odores deixados por outros escorpiões, bem como o movimento do ar que circunda o animal.
![]() © istockphoto.com / John Bell Os escorpiões podem viver sem comida ou água por mais de um ano |
Um escorpião pode exibir suas tendências canibais até mesmo durante os rituais de acasalamento. Depois de depositar um espermatóforo fora de seu corpo para que a fêmea o absorva pela genitália, o escorpião macho precisa se afastar rapidamente. Caso não o faça, pode se tornar o jantar da consorte [fonte: Angier]. Se esse comportamento lhe parece familiar, você tem razão: as aranhas conhecidas como viúvas negras também se alimentam de seus companheiros machos.
Mas o que acontece caso não surja alimento? Com uma adaptabilidade que funciona muito bem em suas condições de vida isoladas, o escorpião possui uma capacidade incrível de desacelerar seu metabolismo a um ritmo equivalente a um terço do de insetos de tamanho comparável. Nos períodos de escassez, o ritmo metabólico do escorpião é um dos mais baixos entre todos os invertebrados [fonte: Lighton et al]. E, nesse ritmo, comer um inseto pode bastar para sustentar o escorpião por um ano. A fim de desacelerar seu metabolismo, os escorpiões se envolvem em um mínimo de atividades. De fato, para que possam manter aquele ritmo metabólico sonolento, muitos escorpiões passam de 92% a 97% de suas vidas completamente inativos, como se vivessem em um estado prolongado de hibernação [fonte: Leeming - em inglês].
Mesmo quando o corpo do escorpião se desacelerou a ponto de quase deixar de funcionar, o animal ainda assim é capaz de entrar em ação rapidamente para conseguir uma refeição. Mas quando um escorpião ataca sua presa, ele não a devora imediatamente. Em lugar disso, começa por excretar enzimas por suas pinças, ou quelíceras. As enzimas decompõem a matéria da presa antes que ela entre no corpo do escorpião, em um exemplo de digestão externa. Dessa forma, o escorpião maximiza os nutrientes que é capaz de extrair de sua refeição sem desperdiçar a energia envolvida em digestão interna.
Essa existência letárgica funciona bem para o escorpião, que é capaz de sobreviver por até 25 anos em diversos climas. Isso o torna o mais longevo dos aracnídeos. No entanto, dada sua dieta espartana, um escorpião que atinja essa avançada idade pode ter desfrutado de apenas duas dúzias de refeições em sua vida.