Mergulhar sem experimentar a água?

Pesquisadores têm uma boa idéia sobre a maneira como a água se movimenta em áreas de maré, mas alguns fatores permanecem desconhecidos. Esses pesquisadores temem que os seres humanos levem adiante (e rápido demais) a tecnologia das turbinas subaquáticas, sem compreender completamente o impacto que ela poderia ter [fonte: Roach (em inglês)]. O que acontece quando grande número de turbinas subaquáticas são concentradas em áreas de maré? Embora a energia não possa ser criada ou destruída, pode ser capturada e transferida a outros usos, como para atender à necessidades elétricas.

As turbinas de maré são tão atraentes que alguma pessoas temem que se comece rápido demais a produzir energia com elas. Turbinas subaquáticas não emitem CO2, e a tecnologia é benigna: a produção de energia pelas turbinas é passiva, transformando em eletricidade a energia cinética contida no movimento das marés.

Existem poucos dados quanto ao impacto que as turbinas subaquáticas poderiam ter sobre os ecossistemas marinhos. Uma lâmina girando rapidamente poderia facilmente atingir com apenas um golpe os peixes que se aproximassem. Mas, é bom saber que as turbinas marinhas giram lentamente - a um ritmo de 10 a 20 rotações por minuto (rpm) [fonte: New Scientist (em inglês)]. Turbinas que se movimentam a cerca de 60 centímetros por segundo não representam grande ameaça aos peixes. Mas e quanto às turbinas de futura geração, que podem girar em velocidade mais alta?


Jeffrey L. Rotman/Time Life Pictures/Getty Images
Projetos em pequena escala estão em curso para revelar o impacto real das turbinas subaquáticas sobre a ecologia das áreas de maré

Existe uma falta de dados sobre o impacto ambiental das turbinas. Há dúvidas quanto ao impacto que o ambiente aquático teria sobre a tecnologia. Por exemplo, as turbinas ou rotores serão atacadas por moluscos que se fixem às suas pás, reduzindo sua velocidade ou até paralisando-as?

Para responder a essas perguntas, projetos-piloto de turbinas foram criados em todo o mundo. O primeiro deles a produzir eletricidade fica no fundo do canal de Kvalsund, na Noruega. A turbina apresenta lâminas de 10 metros de comprimento que giram a 7 rpm, e tem cerca de 20 metros de altura em sua porção mais alta, no fundo do mar. Em setembro de 2003, o gerador da turbina foi conectado à rede elétrica de Hammerfest, uma aldeia local. A turbina sozinha produziu 700 mil kilowatts/hora ao anual - o que gera energia suficiente para abastecer cerca de 35 casas na área [fonte: Roach].

Outro grupo está avaliando o impacto das turbinas sobre a vida aquática. A Verdant Power colocou em operação cinco turbinas de 35 kilowats com equipamento para monitorar a vida aquática adjacente. Os peixes são detectados e acompanhados quando chegam a menos de 18 metros do equipamento, e os dados são registrados. Até agora, nenhum peixe foi atingido pelas turbinas [fonte: Verdant (em inglês)].

A Verdant também está envolvida em um projeto no East River de Nova York. Seis turbinas de maré de 35 kilowatts foram instaladas em um canal com correntes de até quatro nós (uma milha náutica por hora). As seis turbinas produzem a energia que abastece uma loja e um estacionamento vizinhos ao local. A Verdant planeja expandir o projeto e acrescentar turbinas que produziriam eletricidade suficiente para abastecer quatro mil casas [fonte: Popular Mechanics (em inglês)].

O Reino Unido também está estudando o potencial de produção de eletricidade por turbinas subaquáticas. A Marine Current Turbines, uma empresa britânica, instalou um par de turbinas em um pilar único, fincado no piso do Mar do Norte ao largo da costa da Irlanda. As turbinas são imensas, com lâminas de 18 metros de comprimento. Quando giram, produzem 1,2 megawatts de eletricidade [fonte: New Scientist].

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