Einstein: a descoberta de um gênio

Einstein
Imagem cedida 2006 SmugMug, Inc.
Em 1905 foram publicados quatro artigos escritos por Albert Einstein que transformaram o mundo. O primeiro deles era considerado pelo próprio autor “bastante revolucionário”. Em “Sobre um ponto de vista heurístico acerca da produção e da transformação da luz”, Einstein, em dezessete páginas, transformou toda a compreensão da natureza da luz e explicou certas anomalias surgidas na física clássica. Sua argumentação físico-matemática preparou o terreno para a teoria quântica.

O segundo artigo foi o que teve a menor importância entre os quatro. Nele, Einstein delineia um método para determinar o tamanho de uma molécula. O terceiro artigo partia de um tema aparentemente pouco promissor – “Sobre o movimento de pequenas partículas suspensas em um líquido estacionário, segundo a teoria cinética molecular do calor” – para mudar os paradigmas da ciência. Numa época em que se tinha ainda dúvidas no meio científico sobre os átomos, Einstein ousou provar a existências de moléculas invisíveis nesses dois artigos.

A partir dos insights que resultaram nos três primeiros artigos, Einstein produziria um quarto – e provavelmente o mais famoso deles. Ele tinha 26 anos de idade, era pobre e um funcionário público dos escalões inferiores à beira de um colapso mental e físico por conta de suas reflexões sobre complexos problemas e fórmulas. Após o que ele relatou como uma noite de torpor na qual uma tempestade explodiu em sua cabeça, produziu um artigo de 31 páginas chamado “Sobre a eletrodinâmica dos corpos em movimento”. Nele estava contida a teoria da relatividade especial.

Isaac Newton havia declarado que tempo e espaço eram absolutos, sem qualquer relação com coisas exteriores. Segundo a física clássica, o tempo flui de modo equitativo e o espaço permanece sempre semelhante e inamovível. Einstein mudaria essas certezas. Para começar, ele propõe que não há nada que se possa chamar de movimento absoluto. Isso significa que também não existe ausência absoluta de movimento. Toda velocidade é relativa ao referencial específico que a define. Assim, se há movimento relativo, o tempo e o espaço se tornam relativos. Com uma exceção. A velocidade da luz, que é sempre a mesma, qualquer que seja a referência.

A fórmula da teoria da relatividade, a mais famosa de Einstein.
© istockphoto.com / Jose Antonio Santiso
A fórmula da teoria da relatividade, a mais famosa de Einstein

Einstein, com sua teoria da relatividade, mostrava entre outras descobertas que não existe tempo absoluto. O tempo somente se aplica ao local em que está sendo medido. Outro fruto da teoria da relatividade foi a fórmula E=mc², onde E é energia, m é massa e c é a velocidade da luz. Com ela, ele pressupunha que a matéria é energia solidificada e que, se a massa pudesse de algum modo ser convertida em energia, uma pequena quantidade de massa liberaria uma excepcional quantidade de energia. Mais para a frente Einstein incluiria a gravidade na sua teoria e criaria a teoria da relatividade geral, que prevê que a matéria pode fazer com que o espaço se curve. Publicado em 1916, o artigo “O fundamento da teoria da relatividade geral” mostrava em sua descrição dos fenômenos do universo que o espaço se tornava curvo e o tempo também, afinal ele era uma quarta dimensão em um contínuo espaço-tempo (para entender a teoria da relatividade desenvolvida por Einstein, clique aqui e leia o nosso artigo).

Einstein mudou a forma de se fazer ciência. Até então ela era basicamente empírica. Mas ele inverteu esse processo. Teórico convicto, ele considerava o método de construir teorias a partir das evidências obtidas nos experimentos muito lento e prosaico. Sua mente preferia avançar e deixar que no futuro a experimentação comprovasse suas teorias. E isso realmente aconteceu.

Após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) e a comprovação das principais ideias de Einstein na observação de fenômenos espaciais, o mundo reconheceu sua genialidade. Àquela altura já estava separado de Mileva, e seu descuido com a própria aparência imortalizaram a imagem do gênio distraído. Figura pública ministrando conferências por toda a Europa e Estados Unidos, era sempre recebido como herói. Sua prima Elsa, com quem se casara, cuidava de manter uma certa ordem em sua vida pessoal. Em 1921, ganhou o Prêmio Nobel e com a ascensão do nazismo na Alemanha, mudou-se para os Estados Unidos. Lá, dedica-se à pesquisa pura no recém-criado Instituto de Estudos Avançados de Princeton.

Uma lenda viva da ciência, ele se tornou mais recluso após a morte de Elsa em 1936. Em 1939, ao saber que sua fórmula E=mc² levaria os alemães a construir a bomba atômica, alerta o presidente Roosevelt, dos EUA, que à revelia de Einstein inicia o Projeto Manhattan que resultaria nas bombas atômicas lançadas no Japão em 1945. Chocado, envolveu-se em campanhas pacifistas e suas simpatias ao socialismo o colocaram na lista de investigados do FBI na era do macartismo. Cansado, e distanciado da física quântica, morreu em 18 de abril de 1955, aos 76 anos, enquanto dormia no Princeton Hospital, onde estava internado após sofrer um colapso. Havia confessado que se sentia um estranho no mundo.

Einstein e a relatividade
Reprodução

Este artigo é uma resenha do livro “Einstein e a Relatividade em 90 minutos”, de Paul Strathern, da coleção “Cientistas em 90 minutos” da Jorge Zahar Editor, publicado em 1998.