A juventude de Albert Einstein
Einstein nasceu em 14 de março de 1879 em Ulm, uma pequena cidade do sul da Alemanha. Sua mãe era culta e gostava de tocar violino, gosto que passou para o pequeno Albert. Seu pai era afável e sociável, mas fracassado no mundo dos negócios. Os insucessos de suas lojas e indústrias eram responsáveis pela vida espartana da família. Único judeu em uma sala de aula de uma escola católica, numa época em que o anti-semitismo começava a se intensificar, Einstein se entediava com os estudos e com a postura autoritária dos professores, reflexo do estilo “sangue e ferro” do governo Bismark na Alemanha.
 © istockphoto.com / Peter Spiro Einstein se tornaria um dos mais famosos e importantes cientistas da história. Aqui ele é homenageado em um selo norte-americano.
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Sua aversão à maior parte das disciplinas escolares lhe rendeu a fama de ter dificuldades no aprendizado. Mas naquilo que lhe interessava, como física e matemática, mostrava sua inteligência precoce e revelava-se um autodidata. Consciente dessa capacidade, mostrava-se às vezes convencido e insolente. A filosofia era outro campo do conhecimento que agradava muito ao jovem Einstein. Apresentado à complexa obra metafísica de Immanuel Kant, provavelmente como um desafio a sua precoce genialidade, descobriu nela uma construção de excepcional profundidade que buscava explicar absolutamente tudo. Aquilo o influenciaria pelo resto de sua vida.
Apesar da vontade do pai para que estudasse engenharia e ingressasse nos negócios da família, Einstein contou com a compreensão paterna ao demonstrar que aquilo não o interessava. Sua vida estudantil manteve-se errática. Alcançava excepcionais notas em matemática e física, mas era de forma proposital um fracasso nas demais disciplinas. Recusava-se a seguir instruções e preferia usar seus próprios métodos, mesmo quando fazia experiências em laboratório.
Com o apoio financeiro dos parentes de sua mãe, Einstein foi estudar na Suíça. Em 1895, começou a frequentar a Politécnica de Zurique, a melhor escola técnica da Europa central. A atmosfera intelectual, a liberdade para o debate e o ar cosmopolita de Zurique ajudaram Einstein a desenvolver seu brilhantismo e o aproximaram das ideias socialistas. Nesse período, formou um círculo de amigos íntimos, que como ele eram estudantes de matemática e física obcecados pelas questões fundamentais da ciência. A capacidade genial de Einstein foi logo percebida pelos colegas que o ajudavam de forma que ele pudesse acompanhar o curso.
Entre os amigos de Einstein em Zurique havia uma moça, aliás a única da turma. Mileva Maric era sérvia e se tornou a primeira mulher com quem o namoradeiro Einstein podia discutir seus temas mais complexos de física. Às duras penas, conseguiu se formar em 1900. Para escapar do serviço militar na Alemanha, permaneceu na Suíça, onde obteve sua cidadania, mas teve enormes dificuldades para arranjar emprego. Enquanto trabalhava como professor temporário em uma escola próxima a Zurique, tornou-se amante de Mileva. Ao fim do emprego temporário descobriu que ela estava grávida. Desempregado e sem dinheiro, não teria como se casar e sustentá-la. Mileva então voltou a morar com os pais, onde deu a luz a uma menina. O destino de Lisa, a primeira filha de Einstein é nebuloso. Ao que tudo indica, ela foi adotada pelos pais de Mileva, mas desapareceu sem deixar vestígios.
Enquanto isso, Einstein conseguiu um emprego no Escritório de Patentes em Berna, na Suíça. Um ano após o nascimento de Lisa, Mileva deixou sozinha a casa dos pais e foi se encontrar com Einstein. Eles se casaram em 1903 e, no ano seguinte, nasceu Hans Albert. Naquele momento, Einstein produzia ensaios que apesar de não serem excepcionais traziam alguns dos
insights que revolucionariam a física. Suas ideias sobre a
luz, o espaço e o
tempo não se enquadravam nas leis da física clássica desenvolvidas por Newton dois séculos antes. Einstein começava a elaborar as teorias que mudariam nossa forma de compreender o universo.