Examinadores de polígrafo

Há somente duas pessoas na sala durante o exame de polígrafo - a pessoa que realiza o exame e quem está se submetendo ao teste. Atualmente, alguns operadores de polígrafo preferem ser chamados de psicofisiologistas (FFs). Como os operadores de polígrafo estão sozinhos na sala com o examinado, seu comportamento influencia muito o resultado.

"É muito sério quando alguém está sendo acusado de um crime", disse Lee. "Veja, eu não me importo com a pessoa mentirosa. Estou procurando por uma pessoa inocente. Sou totalmente imparcial e neutro quando aquela pessoa entra. Mas assim que faço tal avaliação e o resultado do exame não sugere que o examinado esteja mentindo, eu imediatamente me torno advogado deles".

O psicofisiologista forense tem várias tarefas na realização do exame de polígrafo:

  • preparar o polígrafo e a pessoa a ser submetida ao teste
  • fazer perguntas
  • traçar o perfil da pessoa a ser testada
  • analisar e avaliar as informações obtidas no teste

A maneira como a pergunta é apresentada pode afetar muito os resultados de exame de polígrafo. Há muitas variáveis que um examinador tem que levar em consideração (como crenças religiosas e cultura, por exemplo). Alguns tópicos podem (por uma simples menção)causar uma reação específica na pessoa que está se submetendo ao teste e isso pode ser interpretado erroneamente como um comportamento falso. O motivo da pergunta afeta o modo como a pessoa processa a informação e como ela responde.

Há aproximadamente 3.500 examinadores de polígrafos nos Estados Unidos, 2 mil dos quais pertencem à organização profissional, de acordo com Frank Horvath, professor de justiça criminal da Universidade do Estado de Michigan e membro da Associação Americana de Polígrafo (em inglês).

Quem usa os polígrafos?
Os polígrafos tem seu uso limitado no setor privado, mas são freqüentemente usados pelo governo americano. Veja abaixo algumas entidades e ocasiões que utilizam polígrafos.
  • Segurança Nacional (Agência Central de Inteligência, Departamento Federal de Investigação, Agência Nacional de Segurança etc).
  • Investigação criminal.
  • Seleção pré-contratação.
  • Investigações internas da força da polícia. 
  • Bancos.
Horvath se preocupa com as credenciais e qualificações dos muitos examinadores de polígrafo nos Estados Unidos que não pertencem a nenhuma organização profissional. As leis sobre licenciamento de polígrafo variam de estado para estado e não há governo ou entidade privada que controle o licenciamento dos polígrafos. Horvath também sente que o treinamento dos examinadores de polígrafo é inadequado.

"Segundo Horvath: "temos uma grande quantidade de problemas de padronização em termos de qualificação do examinador e isso me preocupa muito. Você poderia comprar um [instrumento] polígrafo amanhã e vir a Michigan e não seria capaz de trabalhar aqui porque temos uma rigorosa lei de licenciamento, mas você pode ir para Ohio e abrir um negócio amanhã mesmo".

Atualmente, alguns examinadores de polígrafo fazem cursos e trabalham como estagiários para se tornarem examinadores credenciados junto a associações nacionais. Alguns estados também exigem que os examinadores sejam treinados. Há muitas escolas nos Estados Unidos que fornecem esse tipo de treinamento. Uma delas é a Academia Internacional Axciton, inaugurada por Lee. A escola é credenciada pela Associação Americana de Polígrafos e certificada pela Associação Americana de Poligrafistas da Polícia.

Veja as etapas que os estudantes da Academia Axciton devem cumprir antes de se tornarem psicofisiologistas forenses licenciados.

  • Antes de se matricular, os estudantes devem possuir um grau de bacharel ou cinco anos de experiência investigativa.
  • Os estudantes devem passar por um curso intensivo de 10 semanas. O currículo inclui psicologia, fisiologia, ética, história, construção de perguntas, análise psicológica do discurso, análise de quadro e análise de dados do teste.
  • Os alunos devem entrar em um programa de estágio e conduzir no mínimo 25 exames de casos reais. Esses exames são revistos pelo corpo docente. 

Depois da conclusão desses etapas, o aluno se torna um examinador de polígrafo e pode obter uma licença em seu Estado, se necessário. Não há um teste padronizado que todos os operadores de polígrafo devam fazer para exercer a profissão.

Submetendo-se ao teste
Submeter-se a um teste de detector de mentira pode ser uma experiência intimidadora, desafiando os nervos até da pessoa mais inabalável. Você está sentado com vários cabos e tubos conectados e enrolados em seu corpo. Mesmo que você não tenha nada a esconder, pode ficar com receio de que o instrumento diga o contrário.


Passe o mouse sobre os cabos coloridos para ver para onde eles vão

Um exame de polígrafo é um longo processo que pode ser dividido em vários estágios. 

  • Pré-teste - consiste em uma entrevista entre o examinador e o examinado, quando os dois se conhecem melhor. Isso pode durar cerca de uma hora. Nesse ponto, o examinador escuta a versão do examinado sobre os eventos que estão sob investigação. Enquanto o examinado está respondendo às perguntas, o examinador também faz um perfil dele. O examinador quer ver como o examinado responde às perguntas. 

  • Formular as perguntas - o examinador formula perguntas específicas para o assunto sob investigação e revisa as questões com o examinado.

  • Em teste - o teste real é feito. O examinador faz cerca de 10 ou 11 perguntas, apenas três ou quatro das quais são relevantes ao assunto ou crime que está sendo investigado. As outras perguntas são perguntas de controle. Uma pergunta de controle é bem geral, como "Você já roubou alguma coisa em sua vida?" - um tipo de pergunta que é tão ampla que quase ninguém pode responder honestamente com um não. Se a pessoa responde "não", o examinador pode ter uma idéia da reação que o examinado demonstra quando está mentindo.

  • Pós-teste - o examinador analisa os dados das respostas fisiológicas. Se há variações importantes nos resultados, isso pode significar que o examinado estava mentindo, especialmente se a pessoa tiver respostas similares para uma pergunta feita repetidamente.

Às vezes o examinador de polígrafo pode interpretar mal a reação da pessoa em uma pergunta em particular. O fator humano e a natureza subjetiva do teste são duas razões pelas quais os resultados do exame de polígrafo raramente são admitidos em um tribunal. Veja os dois modos pelos quais uma resposta pode ser mal interpretada:

  • falso positivo - a resposta de uma pessoa sincera é determinada como sendo mentirosa.
  • falso negativo - a resposta de uma pessoa mentirosa é determinada como sendo sincera.
"Se dermos uma olhada nos estudos do laboratório, os erros de falso positivo ocorrem com mais freqüência do que os erros de falso negativo", disse Horvath.

É provável que esses erros aconteçam se o examinador não preparou o examinado adequadamente ou se o examinador não fez uma leitura correta dos dados depois do exame.