Como funciona a curiosidade

Autor: 
Joshua Clark

Como animais que somos, nós humanos precisamos de algumas poucas coisas para nos manter como uma espécie. Precisamos de comida – porque somos onívoros, há bastante escolha. Precisamos de água limpa para beber. Precisamos de abrigo contra as intempéries. E precisamos nos reproduzir. Fora isso, não há muito mais que seja necessário.

Mas uma análise rápida da cultura humana mostra o quanto fomos além das necessidades básicas para criar um mundo extremamente complexo – e, na opinião de alguns, complicado demais. A Internet, o telefone, os aviões, trens e carros, nossas casas, nossas roupas, nossas dietas, nossos brinquedos – tudo isso vai muito além das necessidades básicas. Nós humanos tendemos a ir além.

É o caso da curiosidade. Esta aparentemente instintiva necessidade de obter informações das quais não precisamos é supérflua – e nos casos mais extremos, perigosa. Pense, por exemplo, em estar de frente para uma caverna escura. É a curiosidade que leva alguém a ver o que há nela – que pode ser uma furiosa fêmea de urso com sua ninhada. Vista de maneira simplificada, a curiosidade vai contra a teoria da evolução: os mais curiosos entre nós devem ter morrido antes de ter a chance de se reproduzir, levados pela seleção natural. Nós não precisamos realmente fazer palavras cruzadas, ou descobrir o que há naquela caverna escura. Mesmo assim, temos um impulso quase incontrolável de fazer isso. Como diz George Lowenstein, pesquisador especializado em curiosidade, tente desligar a TV nos minutos finais de uma partida muito disputada.

Sabemos há muito tempo que somos curiosos por natureza, e para a maioria isso é algo apreciado. No Ocidente, a Idade Média representou uma das poucas vezes na história em que a curiosidade foi desprezada, considerada um vício por influência de Santo Agostinho, que em suas “Confissões” a caracterizou como uma distração que impede o autoconhecimento [fonte: Pihas].

Esta estranha motivação de explorar nosso mundo, indo além do que precisamos para sobreviver, levou-nos à Lua, ampliou nossa maestria em curar nosso organismo e nos deu melhor compreensão sobre nossos próprios genes. Só que ao mesmo tempo não compreendemos totalmente o meio que nos permitiu tais conquistas. A curiosidade permanece um mistério para nós mesmos.

Na próxima página, algumas teorias sobre esta maravilhosa e inexplicável característica humana.