Aves marinhas espertas, gralhas inteligentes e pássaros arquitetos

As evidências indicam que os comportamentos de outros pássaros também são transmitidos culturalmente. Por exemplo, os ostraceiros - pássaros com plumagem preta e branca e longo bico vermelho - usam estratégias diferentes para capturar mexilhões. Os observadores classificaram esses animais em dois grupos, os "marteladores" e os "perfuradores". Os marteladores possuem bicos achatados na ponta, enquanto os perfuradores têm bicos afiados. A forma do bico é resultado da técnica de captura de mexilhões usada pelo pássaro.

Os marteladores batem nas conchas com a ponta, fazendo um ruído que revela sua espessura. Se o som sugere que a concha é fina, o pássaro a quebra martelando com o bico, uma prática que, com o tempo, vai achatando sua ponta. Os perfuradores, por outro lado, procuram conchas que já estejam abertas. Quando um perfurador encontra uma concha aberta, ele rapidamente retira o mexilhão antes que ela feche novamente.

Os biólogos acreditam que o método de obtenção do mexilhão escolhido pelos pássaros é determinado pela cultura. Eles baseiam sua conclusão nas observações de ostraceiros jovens que aprendem uma técnica ou outra com seus pais.

O uso de uma ferramenta pelas gralhas, pequenos pássaros que vivem na ilha da Nova Caledônia, no Pacífico Sul, geralmente é citado como outro exemplo de comportamento em que os pássaros aprendem uns com os outros. Em 1996, o biólogo Gavin R. Hunt, da Universidade de Massey, na Nova Zelândia, relatou mais de 50 exemplos diferentes de uso de instrumentos dentro de grupos familiares de gralhas. Os pássaros utilizavam pequenos galhos como ferramentas, tirando as folhas e cascas e afunilando as extremidades até ficarem afiadas. Também faziam galhos curvados que podiam servir de ganchos. Eles seguravam os galhos com o bico e os usavam para capturar insetos dos buracos das árvores e de baixo das folhas. Gavin concluiu que as gralhas superaram os chimpanzés nas habilidades de uso de ferramentas.

Os bowerbirds, ou pássaros-arquitetos, grupo de 18 espécies comuns de pássaros da Austrália e Nova Guiné, dão mais provas de aprendizagem por imitação - e talvez até de ensinamento intencional por parte dos adultos. Os machos constroem ninhos elaborados para atraírem as fêmeas. A base é de grama, galhos e outras plantas, com paredes que formam um arco sobre a estrutura. Os machos decoram essas "casas" com vários objetos azuis ou verdes, como sementes, conchas, flores e botões. As evidências do papel cultural na construção dos ninhos surgem com as observações de machos jovens que visitam as casas de machos mais velhos no início do período de acasalamento. Os jovens passam bastante tempo observando enquanto os mais velhos cuidam da casa e exibem sua plumagem para as fêmeas. Grupos de machos jovens trabalham juntos para construírem "casas práticas", revezando-se para arrumar os galhos, geralmente sem o menor jeito e sucesso. De vez em quando, os machos mais velhos observam os jovens.