Embora outros cientistas tenham observado anteriormente chimpanzés usando ferramentas em cativeiro, Jane foi a primeira a testemunhar esses animais fazendo a mesma coisa na selva. Em um dia de outubro de 1960, logo depois que chegou na região que hoje é o Parque Nacional de Gombe, Jane escutou um murmurinho na grama alta de uma encosta. Ela se agachou, pegou os binóculos e viu um chimpanzé cutucando um cupinzeiro com um galho até chegar aos insetos enterrados. Nos anos que se seguiram, ela fez muitas observações da captura de cupins e formigas e descobriu que todo o bando de chimpanzés em Gombe tinha esse hábito.
No início da década de 70, outras equipes de pesquisadores deram início a estudos sobre o comportamento dos chimpanzés em diferentes regiões da África. Em 1999, sete equipes de pesquisa, sob a orientação de Andrew Whiten, reuniram seus dados e publicaram suas descobertas na revista britânica Nature. Os cientistas relataram 39 atividades diferentes do animal que correspondiam a sua definição de cultura como comportamento que se transmite por todo um grupo social através da imitação. O comportamento mais significativo foi o uso de ferramentas simples e atividades relacionadas a catação e a paquera. O mais importante é que os diferentes grupos de chimpanzés seguiram métodos individualizados para tarefas semelhantes. Essas variações não poderiam ser explicadas pelas diferenças genéticas ou ambientais e, portanto, devem ter sido transmitidas através da imitação e, possivelmente, do ensinamento intencional.
Por exemplo, os cientistas descreveram os diversos métodos de captura de insetos usados por diferentes grupos de chimpanzés. Observaram que os de Gombe geralmente utilizam um galho comprido para retirar os cupins e as formigas dos buracos, e tendem a tirar os insetos do galho com as mãos. Já os chimpanzés de Tai e de um lugar chamado Bossou, na Guiné, tendem a buscar os insetos com uma vareta curta e tirá-los dela com a boca. Outro exemplo de variação cultural nos chimpanzés é o uso de ferramentas para abrir nozes. Em Gombe, embora haja uma grande quantidade de nozes, os chimpanzés não sabiam abrí-las, apesar da abundância de pedras que seriam ideais para o trabalho. Em comparação, os de Bossou utilizam "martelos" de pedra para abrir nozes tanto em "bigornas" de pedra quanto de madeira. Os chimpanzés de Tai também abrem as nozes dessa maneira e, geralmente, usam pedaços de madeira e pedras como martelos.
De acordo com os cientistas, a quebra da noz pelos chimpanzés de Tai é um bom exemplo de comportamento que se aprende na juventude através da imitação e se pratica na vida adulta. Enquanto os chimpanzés adultos de Tai abrem as nozes com seus martelos e bigornas, os animais jovens tentam triturá-los com galhos quebrados, pedaços de frutas e até montes de cupins. Eles finalmente descobrem que as pedras e os pedaços de madeira usados pelos adultos funcionam melhor.