Como é feita a preservação criogênica?

Se você decidir ser colocado em suspensão criogênica, o que vai acontecer? Bom, primeiramente você deve se associar a uma instalação de preservação criogênica e pagar uma taxa anual (aproximadamente US$ 400 por ano). Então, quando seu coração parar de bater e você for declarado "legalmente morto", uma equipe de emergência entrará em ação. A equipe instalará um tratamento de suporte para manter o corpo vivo, fornecendo a você oxigênio suficiente para preservar uma função mínima até que você possa ser transportado para a instalação de suspensão. Seu corpo é embalado em gelo e é injetada heparina (um anticoagulante) para impedir que seu sangue coagule. Uma equipe médica aguarda a chegada de seu corpo na instalação de preservação criogênica.


Foto cortesia de Alcor Life Extension Foundation
Sala de operação na Alcor Life Extension Foundation

Uma vez que você esteja na instalação de preservação criogênica, então tem início o "congelamento" real. As instalações de preservação criogênica não podem simplesmente colocar seus pacientes imersos em nitrogênio líquido, pois a água dentro de suas células congelaria. Quando a água congela, expande-se e isso faria com que as células simplesmente estourassem. A equipe de preservação criogênica deve, primeiramente, remover a água de suas células substituindo-a com uma mistura química à base de glicerina chamada de crioprotetor - um tipo de anticongelante. O objetivo é proteger os órgãos e tecidos da formação de cristais de gelo a temperaturas extremamente baixas. Este processo, chamado de vitrificação (resfriamento profundo sem congelamento), coloca as células em estado de animação suspensa.


Foto cedida por Alcor Life Extension Foundation
Cirurgião da Alcor executa os procedimentos iniciais para acessar o sistema vascular do paciente, preparando-o para o processo de vitrificação.


Foto cedida por Alcor Life Extension Foundation
Um computador exibe parâmetros como temperatura, vazão e pressão durante o procedimento de vitrificação que dura cerca de quatro horas

Uma vez que a água de seu corpo é substituída pelo crioprotetor, seu corpo é resfriado em uma cama de gelo seco até que atinge -130ºC, completando o processo de vitrificação. O próximo passo é colocar seu corpo em um recipiente individual que então é colocado em um grande tanque de metal com nitrogênio líquido a uma temperatura de aproximadamente - 196ºC. Seu corpo é armazenado de cabeça para baixo, de modo que se houver um vazamento no tanque, seu cérebro continuará imerso no fluído refrigerante.

A preservação criogênica é cara, podendo custar aproximadamente R$ 320 mil. Mas para os futuristas mais econômicos, R$ 105 mil poderiam preservar somente o cérebro para sempre – uma opção chamada de neurosuspensão. Com sorte, para todos que se preservarem desta maneira, o avanço tecnológico oferecerá uma maneira para clonar ou regenerar o resto do corpo.


Foto cedida por Alcor Life Extension Foundation
Após a vitrificação, os pacientes são colocados em recipientes individuais de alumínio


Foto cedida por Alcor Life Extension Foundation
Cada recipiente de alumínio é colocado em um "casulo" imerso em nitrogênio líquido

Se você optar pela suspensão criogênica, espere por companhia. Vários corpos e/ou cabeças são normalmente armazenados no mesmo tanque de nitrogênio


Foto cedida por Alcor Life Extension Foundation
Recipiente projetado para conter até quatro corpos e seis cabeças de pacientes imersos em nitrogênio líquido a -196ºC. O nitrogênio líquido é adicionado periodicamente para substituir uma pequena quantidade que evapora.