O encontro de Francis Crick e James Watson
Francis Crick nasceu na Inglaterra em 1916. Ele se diplomou em física pelo University College, em Londres. Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, foi recrutado e encarregado de projetar minas. Após a Guerra, já casado, ele decidiu seguir carreira na área de pesquisas científicas. Após assistir a uma palestra de Linus Pauling, o mais notável químico do século 20, Crick encontrou na química uma inspiração para sua carreira científica. Nessa época ele conheceu também a
física quântica e em sua cabeça construiu uma perspectiva maluca de pesquisar moléculas orgânicas, química da genética e mecânica quântica. Em 1949, já divorciado, conseguiu um emprego no mundialmente famoso Laboratório Cavendish de física, em Cambridge.
Enquanto Crick descobria, entre um emaranhado de opções, sua vocação para a biologia, do outro lado do Atlântico, James Dewey Watson preparava-se para deixar os Estados Unidos e ir peregrinar por universidades e laboratórios na Europa com uma bolsa da Fundação Merck. Watson nasceu em Chicago em 1928. Um prodígio, aos 15 anos já estava matriculado na Universidade de Chicago no curso de zoologia. Aos 19 anos, logo após ter se formado foi para a Universidade de Indiana. Lá, dois eventos mudariam sua vida. Assim como Crick, ele também descobriu o universo da física quântica. Só que, além disso, Watson teve a oportunidade de estudar e ser orientado em seu doutorado pelo microbiologista italiano Salvador Luria, líder de um notável grupo de geneticistas que faziam importantes avanços na investigação da autorreplicação no nível viral. Em 1950, Watson ganhou uma bolsa da Fundação Merck para estudar o metabolismo bacteriano. Primeiro ele foi para Copenhague e depois para Nápoles, sempre sob supervisão do bioquímico Herman Kalckar. Durante um congresso científico na Itália ele conheceu o neozelandês Maurice Wilkins, pesquisador do King’s College, em Londres. Wilkins trabalhava para descobrir a estrutura química do
DNA. Bingo! Watson encontrou finalmente o que queria fazer: desvendar o segredo da vida, descobrindo a estrutura do DNA e ficar famoso. Com esse objetivo pediu transferência para o Laboratório Cavendish, em Cambridge.
Quando o insolente e altissonante Crick e o desengonçado e ingênuo Watson se encontraram, eles se entenderam imediatamente, afinal apesar das diferenças de personalidade e idade, ambos tinham em comum uma excessiva autoconfiança e o desejo de decifrarem os segredos do DNA. O grande problema é que mesmo a somatória dos conhecimentos dos dois ainda deixava em um ou noutro uma enorme lacuna em química, biologia e pouca experiência com difração de raios x, técnica essencial àquela altura para estudar o DNA. Mas, a autoconfiança sem limites dos dois os fez seguir em frente.