Após a invenção do telégrafo, era então possível as pessoas se comunicarem por todos os países de forma instantânea através do código Morse. Infelizmente, era possível também que qualquer pessoa com o equipamento apropriado fizesse um grampo uma linha e ouvisse as conversas. Além disso, a maioria das pessoas dependia de funcionários para codificar e decodificar as mensagens, o que tornava possível enviar textos simples clandestinamente. Mais uma vez, as cifras de tornaram importantes.
A Alemanha criou uma nova cifra com base na combinação do tabuleiro de damas de Polybius e palavras-chave. Era conhecida como a cifra ADFGX, porque essas eram as únicas letras usadas como cifra. Os alemães escolheram essas letras porque seus equivalentes no código Morse eram difíceis de confundir, reduzindo a chance de erros.
O primeiro passo era criar uma matriz que parecia com o tabuleiro de damas de Polybius:
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A |
D |
F |
G |
X |
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A |
A |
B |
C |
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E |
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D |
F |
G |
H |
I/J |
K |
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M |
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G |
Q |
R |
S |
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U |
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X |
Y |
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Os criptógrafos usariam pares de letras em cifras para representar letras de texto simples. A linha de letras torna-se a primeira cifra no par, e a coluna torna-se a segunda cifra. Neste exemplo, a letra cifrada "B" torna-se "AD", enquanto o "O" torna-se "FG". Nem todas as matrizes ADFGX tinham o alfabeto organizado em ordem alfabética.
Então, o criptógrafo cifraria sua mensagem. Vamos continuar com a frase "How Stuff Works (Como tudo funciona)". Usando este matriz, nós teríamos "DFFGXD GFGGGXDADA XDFGGDDXGF".
O próximo passo era determinar uma palavra-chave, a qual poderia ter qualquer comprimento porém não poderia ter letras repetidas. Para este exemplo, vamos usar a palavra ALEMÃO. O criptógrafo criaria uma grade com a palavra-chave soletrada no topo. O criptógrafo então escreveria a mensagem cifrada na grade, separando os pares em letras individuais e passando de uma linha para a outra.
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D |
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U |
T |
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H |
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D |
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F |
G |
X |
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G |
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G |
G |
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A |
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D |
A |
X |
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G |
G |
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D |
D |
X |
G |
F |
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Então, o criptógrafo reorganizaria a grade de forma que as letras da palavra-chave ficasse em ordem alfabética, alterando as colunas correspondentes as letras de forma apropriada:
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C |
D |
E |
H |
S |
T |
U |
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D |
D |
F |
G |
X |
G |
F |
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D |
F |
G |
A |
X |
G |
G |
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G |
D |
A |
G |
F |
D |
X |
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D |
D |
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F |
G |
X |
Ele então escreveria a mensagem segundo cada coluna (não considerando as letras da palavra-chave no topo da linha). Essa mensagem ficaria assim: "DDG DFDD FGAD GAG XXFF GGDG FGXX". Fica claro o porquê desse código ser tão desafiador - os criptógrafos cifravam e transpunham cada caractere do texto simples. Para decifrar, você precisaria saber a palavra-chave (ALEMÃO), então você trabalharia a partir daí. Você começaria com uma grade com colunas organizadas alfabeticamente. Uma vez que você preencheu a grade, você poderia reorganizar as colunas de forma apropriada e usar sua matriz para decifrar a mensagem.
Uma das maneiras para você poder adivinhar uma palavra-chave, em uma cifra ADFGX, é contando o número de palavras na mensagem cifrada. O número de palavras cifradas lhe dirá o tamanho da palavra-chave - cada palavra cifrada representa uma coluna de texto, e cada coluna corresponde a uma letra na palavra-chave. Em nosso exemplo, há seis letras na mensagem cifrada, o que quer dizer que há 6 colunas com uma palavra-chave de seis letras. Claro, ALEMÃO tem seis letras. Pelo fato das palavras cifradas e da mensagem original poderem ter contagens diferentes - seis letras cifradas versus três palavras de texto simples em nosso exemplo - decifrar a mensagem torna-se ainda mais desafiador. |
Na próxima página, vamos ver alguns dispositivos que os criptógrafos inventaram para criar cifras enigmáticas.