A crise dos mísseis em Cuba

A large group of customers watch American President John F. Kennedy deliver a televised address to the nation on the Cuban Missile Crisis.
Ralph Crane/Time Life Pictures/Getty Images
Pessoas ouvindo um discurso do presidente John Kennedy sobre a crise dos mísseis em Cuba, em 22 de outubro de 1962

A primeira metade dos anos 60 provou ser uma das mais difíceis eras da corrida nuclear. Entre 1960 e 1964, França e China entraram para o grupo de nações equipadas com armas nucleares, testando projetos próprios. Os soviéticos testaram a bomba mais poderosa que já foi explodida, um dispositivo de 58 megatons, detonado na atmosfera.

Quando o presidente Dwight Eisenhower deixou o posto, ele alertou a nação sobre o perigo de um complexo industrial-militar, um termo abrangente que descrevia uma larga rede de indivíduos e instituições que trabalhavam no desenvolvimento de armas e tecnologia bélica. Uma crescente conscientização quanto à tensão entre os países, especialmente entre os Estados Unidos e a Rússia, só serviu para aquecer ainda mais a guerra fria. Em certo momento, os norte-americanos foram encorajados pelo presidente Kennedy a construir ou comprar abrigos antibombas, como forma de evitar os perigos de um ataque nuclear. As pessoas acataram o conselho e logo um frenesi de construção de abrigos (que durou cerca de um ano) tomou conta de muitos norte-americanos.

Um dos primeiros grandes sustos na corrida nuclear começou com a invasão fracassada à Baía dos Porcos, em Cuba, em abril de 1961. O presidente John Kennedy, que havia acabado de assumir, aprovou um plano da CIA para derrubar o líder do país, Fidel Castro e substituí-lo por um governo não comunista, politicamente alinhado aos Estados Unidos. A CIA treinou um grupo de exilados cubanos para a invasão, mas o ataque falhou depois que os bombardeiros de apoio fracassaram em seus ataques e os invasores terminaram mortos ou capturados.

A photograph of a ballistic missile base in Cuba.

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Fotografia de uma base de mísseis balísticos em Cuba, usada como prova para o bloqueio naval a Cuba, ordenado pelo presidente John Kennedy durante a crise dos mísseis naquele país, em 24 de outubro de 1962

Esse erro militar embaraçou Kennedy e conduziu a uma situação muito mais perigosa. No ano seguinte, em 14 de outubro, um avião de espionagem U-2, voando sobre Cuba, avistou bases de mísseis nucleares soviéticos em construção e começou o episódio que se tornaria conhecido como Crise dos Mísseis em Cuba. Os mísseis estavam apontados contra os EUA e uma ogiva nuclear poderia atingir facilmente o país em prazo bastante curto. Entre os dias 16 e 29 de outubro, o mundo assistiu a uma nervosa negociação entre o presidente Kennedy e o líder do Partido Comunista e primeiro-ministro soviético Nikita Khrushchev, que levou à remoção dos mísseis. Os soviéticos terminaram por ceder, mas a crise foi o momento em que o mundo esteve mais perto de uma guerra nuclear.

Àquela altura, EUA e URSS reconheciam o conceito conhecido como Destruição Mútua Assegurada, conhecido em inglês como MAD, ou "loucura". Caso um país realizasse um ataque nuclear, havia consideráveis chances de que o outro lado simplesmente contra-atacasse e a destruição de ambas as nações seria o resultado mais provável. Essa era a única coisa que impedia os dois países de se atacarem mutuamente e, no fim dos anos 60, surgiram novos esforços para desacelerar ou deter a corrida nuclear. Os dois rivais instalaram uma linha direta de contato para facilitar a negociação em caso de nova crise.

Em julho de 1968, foi assinado o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, em Washington, D.C. (em inglês), Moscou e Londres, para impedir qualquer país, até ali não equipado com armas nucleares, de adquiri-las. O primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALTI), entre os EUA e a URSS, também começou a ser negociado em Helsinki, Finlândia, em novembro de 1969 e o mundo estava a caminho da distensão nuclear, com um relaxamento da hostilidade entre os países e tentativas de compreensão mútua.

Aprenda mais sobre a distensão dos anos 70 na próxima seção.