Controle internacional de armas

Winston Churchill, Harry S. Truman and Joseph Stalin shaking hands in Potsdam in August 1945, right before things got really awkward.
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Winston Churchill, Harry Truman e Joseph Stalin trocando apertos de mãos em Potsdam, em agosto de 1945, antes que a situação se complicasse realmente

Depois de Hiroshima e Nagasaki, as Nações Unidas estabeleceram a Comissão de Energia Atômica (CEA) em uma tentativa de proibir totalmente o uso de armas nucleares e estabelecer mecanismos internacionais de controle sobre as informações referentes à tecnologia atômica. Um plano inicial proposto pelos Estados Unidos e informalmente conhecido como Relatório Acheson-Lilienthal, sugeria uma Autoridade de Desenvolvimento Atômico internacional, que deteria o monopólio sobre armas e informações. Uma revisão subseqüente dessa proposta, sob o nome de Relatório Baruch (em função de seu autor, Bernard Baruch) não se afastava muito da idéia original, mas incluía pesadas sanções contra países que violassem as regras da organização.

Os soviéticos rejeitaram o plano de imediato, argumentando que os EUA estavam muito adiantados em termos do desenvolvimento de armas, e que continuariam em vantagem até que os detalhes do sistema de controle internacional fossem definidos. Os soviéticos alegavam que os norte-americanos tirariam vantagem desse período. A Rússia sugeriu, em vez disso, um completo desarmamento nuclear.

Qualquer esperança de acordo foi destruída e, em 1946, o relacionamento entre EUA e URSS já estava em franco declínio. Em fevereiro, diplomatas russos enviaram ao Departamento de Estado norte-americano um longo telegrama expondo uma inclinação política perturbadoramente hostil aos Estados Unidos (as cinco partes da mensagem podem ser lidas aqui - em inglês). Winston Churchill, em seu famoso discurso sobre a "cortina de ferro", em 5 de março, alertou as pessoas contra o comunismo alegando que os soviéticos "desejavam os frutos da guerra e a expansão infinita de seu poder e doutrinas" [fonte: The History Guide]. Como o Plano Baruch só ficou pronto em junho daquele ano, o declínio no relacionamento entre as duas nações estava bem avançado no momento em que ele foi divulgado.

Pouco depois, os esforços de controle desabaram e os EUA voltaram imediatamente aos testes de bombas nucleares. Em julho, as forças armadas convidaram diversos jornalistas, legisladores e oficiais militares para demonstrar o efeito de bombas nucleares sobre grandes frotas de navios da Marinha. Os testes, conhecidos como "Operação Crossroads", envolviam explosões nucleares atmosféricas e subaquáticas no atol de Bikini (em inglês), parte das ilhas Marshall, localizadas no Oceano Pacífico.

O primeiro teste, em 1° de julho, conhecido como Shot ABLE, teve resultados tão bons quanto a explosão do teste Trinity e a de Nagasaki, mas o fato de uma bomba ter sido lançada fora do alvo prejudicou os resultados. O segundo teste, Shot BAKER, em 25 de julho, superou de longe as expectativas. A detonação destruiu 74 navios vazios e lançou ao ar milhares de toneladas de água. Mas o pior é que a radiação na área atingiu níveis perigosos, o que levou ao cancelamento de um terceiro teste. A exibição obteve sucesso em expor o poderio da bomba diante de uma audiência muito mais ampla.

U.S. military publicly test an atomic bomb at Bikini Atoll on July 25.
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Forças armadas dos EUA testam bomba atômica publicamente no atol de Bikini, em 25 de julho

Os soviéticos estavam informados há bastante tempo sobre o projeto norte-americano da bomba. O físico Klaus Fuchs, nascido na Alemanha, era um dos cientistas britânicos trabalhando em Los Alamos durante o Projeto Manhattan. Ainda que as autoridades não descobrissem antes de 1948, Fuchs estava desde 1945 passando informações sobre bombas nucleares aos soviéticos. Em agosto de 1949, no Cazaquistão, a União Soviética detonou sua primeira bomba atômica, designada "Joe 1" pelos norte-americanos, em referência ao líder soviético Josef Stalin.

Para aprender sobre a corrida por mais bombas - e bombas mais poderosas - leia a próxima seção.