Introdução


­corrida nuclear

A detonação da primeira bomba nuclear, no local de teste denominado Trinity, no Novo México, foi um triunfo dos militares norte-americanos. Por cerca de três anos, cientistas e militares envolvidos no Projeto Manhattan trabalharam sem cessar para construir uma bomba nuclear. O intenso clarão, a onda forte de calor e o estrondo ensurdecedor confirmaram o sucesso da empreitada.

Quaisquer celebrações que tenham ocorrido depois da primeira detonação duraram pouco. O objetivo inicial era construir uma bomba antes que a Alemanha pudesse fazer o mesmo, mas a Segunda Guerra Mundial na Europa terminou oficialmente em 8 de maio de 1945, dois meses antes do teste Trinity.

The Agni II, capable of delivering nuclear warheads, sits on display in New Delhi, India.

Raveendran/AFP/Getty Images
O Agni II, capaz de conduzir ogivas nucleares, em exposição em Nova Delhi, Índia



A decisão de usar uma bomba contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki dividiu opiniões. Havia quem acreditasse que as armas pouparam vidas porque puseram fim aos combates terrestres e aos ataques aéreos. Outras pessoas acreditavam que o Japão estivesse a ponto de se render, de qualquer forma. O Comitê Franck, presidido por James Franck, ganhador do prêmio Nobel, chegou a divulgar um relatório no qual sugeria que o poder da bomba atômica deveria ser demonstrado aos japoneses antes que a arma fosse usada contra alvos militares ou civis.

Os EUA se sentiam igualmente divididos quanto a compartilhar suas informações sobre tecnologia atômica com a União Soviética. Muitos cientistas, entre os quais Niels Bohr e Robert Oppenheimer, acreditavam que o melhor seria um "livre intercâmbio de informação" sobre a tecnologia nuclear. O conhecimento disponível no mundo da Física bastaria para que os russos pudessem construir a bomba por conta própria, futuramente, mesmo sem a ajuda dos EUA. Além disso, reter informações poderia abalar as relações políticas entre os dois países, que encerraram a Segunda Guerra Mundial como as duas maiores potências mundiais. Por outro lado, uma crescente desconfiança quanto ao comunismo já se havia desenvolvido entre muitos norte-americanos perto do fim da guerra e, por isso, alguns deles desejavam manter os segredos nucleares fora do alcance dos soviéticos. Um monopólio norte-americano sobre as armas nucleares tornaria a Rússia mais administrável do ponto de vista político.

Foi esse tipo de tensão que deflagrou a corrida das armas nucleares, ou a corrida nuclear, uma era na qual diversos países testaram muitas tecnologias nucleares e estocaram milhares de ogivas nucleares, em um esforço para superar os arsenais dos rivais. No caso da corrida espacial, quem tivesse a melhor tecnologia teria maior poder, mas, no caso das armas, o jogo era muito mais perigoso - o potencial de uma guerra nuclear aberta entre países esteve sempre presente e o século 20 esteve repleto de momentos de incerteza e de quase catástrofe na política internacional.

Para descobrir mais sobre a corrida de armas nucleares e as pessoas e organizações envolvidas, leia a próxima seção.