Estimativas apontam que o prejuízo causado por contaminação biológica gira em torno de US$ 1,4 trilhão no mundo e US$ 49 bilhões no Brasil. Nos Estados Unidos esse valor é quase três vezes maior. Este se estende pelas mais diversas áreas como a agricultura, pecuária, além dos prejuízos ambientais, como a perda da biodiversidade, ou ainda os danos à saúde humana e animal.
Um dos fatores mais importantes na agricultura são as chamadas plantas invasoras, também conhecidas como plantas daninhas, que exigem gastos consideráveis com herbicidas para o seu controle. O cultivo de determinada cultura inicia-se com o preparo do solo através do ajuste de pH, adubação, enfim, criando condições para a semeadura ou transplante de mudas de interesse. A partir desse momento, plantas indesejáveis começam a surgir e graças a seu rápido crescimento amplamente se propagam no campo preparado para o plantio. Mesmo sendo eliminadas nesse momento, quando as plantas cultivadas começam a crescer, lá estão as invasoras de novo, absorvendo nutrientes do solo, encobrindo as mudas e, novamente, faz-se necessário a sua eliminação. Dependendo da cultura, durante a colheita muitas plantas invasoras acabam fazendo parte do material coletado, necessitando a sua retirada durante o beneficiamento.
A origem destas plantas é bem variada, algumas foram trazidas como alternativas para pastagem, outras acidentalmente por meios de transporte ou até mesmo na cama dos escravos em navios negreiros. A importação de sementes também pode ser considerada uma fonte importante destas plantas, pois muitas vezes as sementes comercializadas contêm dispersa entre elas, muitas sementes de outras plantas, inclusive de invasoras.
A agricultura também sofre com doenças e pragas introduzidas, muitas vezes um simples vasinho de flor trazido de uma determinada região pode conter inúmeros “inimigos” microscópicos e, muitas vezes, a própria planta pode vir a tornar-se uma planta invasora, assim como muitos insetos e moluscos que são introduzidos, acidentalmente ou não, podem proliferar-se de modo assustador.
O combate a doenças virais, fúngicas e bacterianas elevam o custo ou podem levar a grandes prejuízos da produção agrícola, mas certos animais também prejudicam e muito as mais diversas culturas, o como o caracol gigante africano (Achatina fulica) introduzido no Brasil, ao final da década de 90, como uma alternativa ao escargot que não teve sucesso e foram abandonados pelos criadores, passando a proliferar e tornaram-se um grande problema, tanto para a agricultura como para a saúde pública. Conheça mais detalhes de algumas espécies invasoras.
A criação animal também não está livre da contaminação biológica. Um exemplo bastante recente é o da gripe aviária, causada por um vírus, que acarretou perdas consideráveis na avicultura e colocou o mundo em alerta, assim como a febre aftosa que atinge a criação de gado. Porém, além dos microorganismos e parasitas que possam vir a infectar os animais de criação, o cuidado também recai sobre a qualidade das rações, pois os alimentos podem vir a ser de baixa qualidade, muitas vezes influenciando, inclusive, na qualidade do produto final, como o leite e as carnes. Assim indústrias, principalmente as alimentícias e farmacêuticas não poupam esforços e gastos, para a assegurar a minimização da contaminação biológica, tanto para os animais de criação quanto para os homens, eliminando insetos, moluscos, mas mais especificamente buscando minimizar a contaminação microbiológica.
Na próxima página, conheça um pouco das histórias de espécies invasoras.