Ainda que restem algumas discordâncias sobre os dinossauros serem ou não animais de sangue quente, a maioria dos paleontologistas aceita, agora, a ideia de que os dinossauros eram criaturas ativas. E a maioria dos pesquisadores concorda com as provas de que o T. rex era ágil e rápido, demonstrando que ele fosse primordialmente um predador, um animal carnívoro que mata outros animais para se alimentar.
![]() © istockphoto.com / Allan Tooley Os pequenos braços do T. rex não eram úteis na captura inicial de presas, mas eram úteis para ajudar a segurar a vítima ou manipular a carcaça |
Ainda que o T. rex tenha sempre sido reconhecido como carnívoro, alguns paleontologistas argumentavam que ele talvez fosse apenas um animal carniceiro, ou seja, que se alimenta da carne de animais já mortos. Alguns pesquisadores adotaram posturas fortes quanto a isso, mas outros apontaram que entre os animais carnívoros modernos, poucos são exclusivamente predadores ou carniceiros. Os leões, por exemplo, são predadores, mas também se alimentam de carniça. Da mesma forma, os abutres são carniceiros, mas também matam presas. Consequentemente, a maioria dos paleontologistas, por volta dos anos 90, não usava mais esses rótulos estreitos para tentar descrever o tiranossauro. Em lugar disso, boa parte de suas pesquisas sobre o dinossauro tentava definir mais claramente de que maneira ele teria caçado suas presas.
Se o T. rex era um predador, era necessário que tivesse velocidade ao menos igual à de suas presas. Para determinar que velocidade de corrida um T. rex poderia atingir, o paleontologista James Farlow, da Universidade Purdue, em Fort Wayne, Indiana, estudou as pegadas preservadas de diversos terópodes, o grupo de dinossauros (que inclui o T. rex), que caminhavam apenas sobre as patas traseiras. Farlow calculou a velocidade máxima provável dos animais ao combinar fatores como a extensão de sua passada, o comprimento de seus ossos e seu peso estimado. Alguns terópodes, concluiu o pesquisador, podiam correr a até 40 km/h.
Em 1995, Farlow e John Robinson, físico da mesma universidade, calcularam a capacidade de corrida do T. rex. O tiranossauro tinha braços relativamente curtos - cerca de um metro de comprimento - e eles não poderiam deter uma queda do animal em caso de perda de equilíbrio. Caso um T. rex caísse em velocidade de 40 km/h, a força com que ele atingiria o solo provavelmente causaria ferimentos fatais. Eles estimaram, assim, que os tiranossauros provavelmente não ultrapassavam os 35 km/h, mas isso não teria sido veloz o suficiente para apanhar a maioria dos dinossauros herbívoros da era.
Os braços curtos do tiranossauro também suscitaram outras questões sobre como o dinossauro caçava suas presas. Com um corpo de 40 metros, braços de um metro parecem virtualmente inúteis. E, de fato, o paleontologista John Horner, do Museu das Rochosas em Bozeman, Montana, alega que os braços do T. rex eram curtos demais até mesmo para ajudar o animal a capturar presas. Horner e alguns outros paleontologistas mencionaram essa limitação como prova de que o T. rex era carniceiro e não predador.
Outros pesquisadores apontam, porém, que ainda que os braços do tiranossauro fossem curtos em relação ao corpo, não seriam necessariamente inúteis. O paleontologista Kenneth Carpenter, do Museu de História Natural de Denver, reportou provas em 1990 de que os braços eram bastante fortes. Carpenter e seus colegas examinaram as marcas de ossos fossilizados nos pontos em que tendões conectavam o bíceps ao osso. Os pesquisadores calcularam que um braço de tiranossauro arcaria com peso de até 180 kg. A maioria dos paleontologistas argumenta, assim, que se os braços não eram úteis na captura inicial de presas, eram úteis para ajudar a segurar a vítima ou manipular a carcaça.