Objeções dos anticulturalistas

Embora os culturalistas façam uso desses exemplos como provas de que os animais têm cultura, os anticulturalistas levantam várias questões que contrariam essa conclusão. O anticulturalista Bennett Galef afirmou que nem a lavagem de batatas feita pelos macacos, nem a captura de insetos realizada pelos chimpanzés - dois exemplos que os culturalistas consideram evidências fortíssimas da cultura animal - qualificam-se como verdadeira cultura.

De acordo com ele, a lavagem das batatas, contrariando a maioria dos relatos, talvez não tenha sido aprendida por imitação e, sendo assim, não poderia ser considerada cultural. Ele cita a pesquisa feita por cientistas que visitaram a ilha de Koshima, na década de 70, e observaram um cuidador dar batatas somente aos macacos que as lavariam. Na verdade, as batatas eram uma recompensa pelo comportamento de lavá-las. Esse tipo de processo, ou seja, dar um prêmio pelo desempenho de um comportamento específico, é chamado de condicionamento. Nele, os cientistas é que são responsáveis por quaisquer mudanças no comportamento dos animais, e não eles próprios. Assim, a transmissão do novo comportamento não é uma transferência real da cultura animal. Galef sugere a possibilidade de os macacos, na década de 50, seguindo a viagem pioneira de Imo até a água, terem sido influenciados pelos seus cuidadores a lavarem as batatas. Entretanto, os funcionários que trabalhavam em Koshima, na época, negaram ter influenciado os animais dessa forma.

Outra falha no fato de aceitar a lavagem de batatas como cultura, diz Galef, é que um comportamento socialmente imitado deveria ter se espalhado para o grupo rapidamente. No entanto, só depois de nove anos é que a maioria dos macacos mais jovens de Koshima imitou Imo. Com base nesses fatores, Galef conclui que a lavagem de batatas, se não foi induzida pelos cuidadores, pode ter sido descoberta por cada macaco isolado por acaso. Em qualquer um dos casos, não seria um comportamento cultural.

Galef também argumenta contra a explicação cultural da captura de insetos, feita pelos chimpanzés de Gombe. Ele sugere que a busca por formigas e cupins realmente pode ser um comportamento espontâneo induzido mais pelo meio ambiente dos chimpanzés do que por imitação. Ele aponta que os animais jovens, que não capturam insetos, geralmente cutucam as formigas com galhos e folhas como uma forma de brincar. À medida que vão envelhecendo, os jovens normalmente pegam os galhos e as folhas que os adultos descartaram e ficam examinando. De vez em quando, têm sorte e acabam conseguindo alguns petiscos. Aprender a pegar insetos dessa forma, diz Galef, é mais um tipo de comportamento recompensado do que um comportamento imitativo, não se qualificando, portanto, como cultura.

Os anticulturalistas afirmam que explicações não-culturais semelhantes podem ser dadas para muitos outros tipos observados de comportamento do chimpanzé. Quanto aos exemplos do suposto comportamento cultural em outros tipos de animais, os anticulturalistas propõem que alguns desses comportamentos, como as variações nos dialetos dos pássaros canoros, podem ser mais bem explicados por diferenças genéticas entre as populações. E outros tipos de comportamentos, como as estratégias das orcas de caça às focas e as construções bem elaboradas dos bowerbirds, podem ser fruto de tentativa e erro, e não de ensinamento e imitação.