Baleias assassinas, esquilos terrestres e elefantes

Outro possível exemplo de cultura animal vem do oceano e dos estudos de orcas, comumente conhecidas como baleias assassinas. Algumas orcas comem peixes, enquanto outras se alimentam de mamíferos marinhos, como tipos menores de baleias e elefantes marinhos. Elas, além de terem hábitos alimentares variados, também apresentam tipos diferentes de vocalização. As baleias de grupos pequenos emitem sons individualizados quando se encontram. O pesquisador dessas espécies Hal Whitehead, da Universidade de Dalhousie, na Nova Escócia, acredita que as variações dos hábitos alimentares e das vocalizações evoluíram através de processos culturais.

Por exemplo, nos estudos sobre as orcas que se alimentam de mamíferos, Whitehead e seus colegas viram no comportamento delas uma forma de ensinamento. Os pesquisadores observaram e filmaram orcas, que podem chegar a mais de 9 m de comprimento, surgindo pela superfície da água para pegar as focas que tomavam sol na praia ou nas massas de gelo flutuantes. Os animais adultos pareciam mostrar às mais jovens como chegar à praia para capturar o alimento e como retornar à água. Segundo Whitehead, elas "são uma das poucas espécies de que há boas evidências de adultos ensinando aos jovens um comportamento complexo, como ir até a praia para pegar uma foca, o que é bastante difícil e perigoso. Se ficarem encalhadas morrem".

Primatas, pássaros e baleias dão provas mais que convincentes da cultura animal. Entretanto, pesquisadores do comportamento animal podem citar várias outras espécies em que o comportamento parece ser transmitido através de imitação e ensinamento. Diversas espécies, aparentemente, aprendem a ter comportamentos alimentares específicos com seus pais. Um bom exemplo disso são os esquilos terrestres de Belding, roedores que vivem em grupo no oeste dos Estados Unidos.

Eles são bem conhecidos entre os biólogos pelos chamados de alerta que as fêmeas fazem para avisar seus filhotes e outros parentes sobre um perigo iminente de predadores, como os falcões. No entanto, estudos sugerem que as fêmeas também ensinam quais alimentos os filhotes podem comer - incluindo vários tipos de sementes, frutas, folhas, caules e insetos. Algumas mães são melhores do que outras na escolha de comidas mais nutritivas, e passam essas opções para sua cria. Por isso, esses filhotes têm mais chance de sobreviverem na vida adulta do que os filhotes das mães com menos habilidades alimentares.

Os elefantes africanos são outra espécie de mamíferos em que as fêmeas parecem ter um papel predominante no ensinamento de técnicas de sobrevivência a seus filhotes. Eles vivem em bandos organizados em torno das unidades familiares, que consistem de fêmeas adultas e seus filhotes. Como acontece com os esquilos terrestres de Belding, os elefantes jovens dependem da mãe para lhes ensinar a procurar comida, além de outras atividades necessárias à sobrevivência. Os filhotes de diversos bandos aprendem a realizar essas tarefas de forma um pouco diferente uns dos outros, prova de que esses comportamentos são transmitidos culturalmente.