A história da comida espacial

Autor: 
Stephanie Watson

Como os primeiros vôos espaciais duravam apenas alguns minutos, não havia muita necessidade de carregar comida a bordo. Mas, no início dos anos 60, John Glenn e os astronautas do Projeto Mercury começaram a passar mais tempo no espaço e precisavam comer. Os primeiros alimentos espaciais não eram nada apetitosos: eram quase todos semilíquidos espremidos para fora de tubos e sugados por meio de canudos. Também havia cubinhos mastigáveis de alimentos comprimidos e desidratados que eram reidratados pela saliva nas bocas dos astronautas.

Comida de astronauta
Centro de Vôo Espacial Johnson, da Nasa (NASA-JSC)
­Os astronautas
do projeto Mercury dispunham de comida espacial
primitiva. Na foto:
pacotes de sopa
de cogumelos, suco
de laranja, água de coco, suco
de abacaxi, frango
ao molho, pêras,
morangos, carne
e legumes.

Quando surgiu o projeto Gemini, em 1965, a comida havia se tornado um pouco mais palatável. Os astronautas tinham mais opções, como por exemplo, coquetéis de camarão, peru, sopa de galinha e pudins de caramelo. A comida era congelada a seco, o que significa que era cozida, congelada rapidamente e depois preservada em câmara de vácuo para remoção da água. O congelamento a seco preservava os alimentos sem comprometer o sabor. Para reidratar a comida, o astronauta simplesmente colocava água no pacote com uma pistola de água.

Para o programa Apollo, o primeiro a conduzir homens à Lua, a NASA ofereceu água quente aos astronautas, o que facilitava a reidratação de alimentos. Os astronautas das missões Apollo também foram os primeiros a dispor de talheres, por isso não se alimentavam por meio de canudos. A missão introduziu a vasilha-colher, um recipiente plástico contendo alimentos desidratados. Depois que os astronautas injetavam água no recipiente para reidratar a comida, abriam um zíper e comiam com uma colher. O fato de a comida estar molhada, fazia com que ela aderisse à colher e não flutuasse pela nave.

A missão Apollo também introduziu bolsas termoestabilizadoras conhecidas como wetpacks. Eram bolsas flexíveis de plástico ou de alumínio que mantinham a comida úmida o suficiente para que não fosse preciso reidratá-la. A tripulação das Apollos podia desfrutar de jantares com bacon, cereais, sanduíches de carne, pudim de chocolate e salada de atum. Enquanto a Apollo 8 orbitava em torno da Lua na véspera do Natal de 1968, a tripulação pôde até saborear um bolo de frutas.

A missão Skylab, lançada em 1973, oferecia ainda mais confortos caseiros. Uma grande sala de jantar e uma mesa permitiam que os astronautas se sentassem para comer. O Skylab desfrutava do luxo de refrigeração de bordo (algo que nem mesmo o moderno ônibus espacial oferece), de modo que era capaz de carregar maior variedade de alimentos - um cardápio com um total de 72 itens. Bandejas de aquecimento de comida permitiam que os astronautas esquentassem comida durante o vôo.

Comida espacial
Centro de Vôo Espacial Johnson, da Nasa (NASA-JSC)
O programa Skylab, dos anos 70, usava bandejas
como essa para
manter a comida
no lugar

No começo dos anos 80, com o lançamento do primeiro ônibus espacial, as refeições pareciam quase idênticas às que os astronautas comiam na Terra. Eles selecionavam seus cardápios para uma semana com base em uma lista de 74 alimentos e 20 bebidas e preparavam sua comida em uma área de cozinha dotada de torneira com água e também de um forno. Quando o ônibus espacial Discovery foi lançado em missão no ano 2006, ficou claro que o preparo da comida espacial havia entrado em uma nova era. O chef e apresentador de programas culinários de TV, Emeril Lagasse, criou um cardápio que incluía pratos especiais como um purê de batatas apimentado, jambalaya e pudim de pão (com extrato de rum, uma vez que o uso de álcool não é autorizado no espaço).

Mas quem determina que alimentos integram os cardápios das missões? Que espécie de comida chega ao espaço? Descubra mais na próxima página.