Noções básicas sobre as cobras

Autor: 
Lacy Perry

Existem 2.700 espécies conhecidas de cobras e todos esses répteis compartilham das mesmas características:

  • têm corpos finos, lineares e sem membros;
  • são carnívoros;
  • têm sangue frio (são ectotérmicos), o que significa que sua temperatura interna varia com a temperatura do ambiente.


Foto cedida por Ray Rauch, U.S. Fish e Wildlife Service
Cobra Copperhead

Há uma boa razão para as cobras parecem lagartos sem pernas: ambos constituem a ordem Squamata, que é dividida nas subordens Sauria para os lagartos e Ophidia para as cobras. Como as cobras são alongadas, seus órgãos são dispostos linearmente, mas no restante elas são iguais aos demais vertebrados. Há uma caixa óssea guardando o cérebro e os órgãos sensoriais ficam na cabeça, possuindo quase todos os sentidos que nós humanos, mas com algumas modificações:

  • audição - embora as cobras não tenham orelhas, as ondas de som provenientes do ar atingem sua pele e são transferidas dos músculos para o osso. Quando o som atinge o osso do ouvido sob o crânio, envia vibrações para o ouvido interno, sendo o som processado pelo cérebro;

     

  • visão - as cobras não vêem cores, mas seus olhos têm uma combinação de receptores luminosos: bastonetes que provêm uma visão fraca porém indistinta de luz e cones que produzem imagens claras. A complexidade dos olhos varia entre as espécies devido aos seus diferentes estilos de vida. As cobras que vivem primordialmente em locais subterrâneos, por exemplo, têm olhos menores que processam somente claro e escuro, mas cobras que vivem acima do solo e usam a visão para caçar têm visão cristalina e uma boa percepção de profundidade. Algumas espécies, especificamente as jibóias e as pítons, têm um segundo instrumento visual: órgãos receptores dentro de sulcos nas suas cabeças percebem as fontes de calor nos arredores como se fossem óculos infravermelhos, uma habilidade bastante útil para a caça noturna de animais de sangue quente;


    Foto cedida pelo Zoológico de Saint Louis
    Corallus annulatus

     

  • olfato - como os humanos, as cobras inspiram os odores que há no ar para dentro das aberturas nasais e os levam para uma câmara olfatória onde é feito o processamento; ainda assim, as cobras têm um sistema secundário. Quando uma cobra vibra sua língua, ela está juntando partículas de odor, que são transferidas para duas bolsas cheias de fluido no céu da boca, os órgãos de Jacobson, e depois para uma segunda câmara olfatória menor. A língua é usada apenas para ajudar nesse processo; as cobras não têm o sentido do paladar.


O trato digestório percorre quase toda a extensão do corpo e inclui a boca, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus, todos podendo se distender para digerir presas maiores do que o diâmetro da própria cobra (veja a seção sobre alimentação). Quando sua boca está cheia, ela precisa estender sua traquéia (tubo respiratório) além da comida e para fora de modo a continuar respirando. As cobras não têm um diafragma como as pessoas, portanto fazem o ar entrar e sair dos pulmões estreitando a caixa torácica, para empurrar o ar para fora, e depois alargando-a, para criar um vácuo que suga o ar para dentro. Após cada ciclo respiratório elas experimentam uma apnéia, parada respiratória que dura de poucos segundos até alguns minutos. Para processar o oxigênio, todas as cobras têm um pulmão direito alongado; muitas têm também um pulmão esquerdo menor e algumas têm até um terceiro pulmão ao longo da traquéia.

Cobras de duas cabeças

As cobras de duas cabeças se parecem menos com os assustadores monstros cheios de cabeças da mitologia e mais com gêmeos siameses. Dentro da cobra mãe, um embrião começa a dividir-se para criar gêmeos idênticos, mas o processo não é finalizado, deixando parte da cobra dividida e as outras partes ligadas.

Diferentemente das criaturas mitológicas, cujas múltiplas cabeças as tornam significativamente mais perigosas, as cobras de duas cabeças raramente sobrevivem em um ambiente selvagem. Com duas cabeças, os sentidos ficam duplicados: quando elas percebem a presa, as cabeças disputam para ver quem vai comê-la. Para piorar as coisas, se uma cabeça sentir cheiro de comida na outra, tentará comer a outra cabeça.                                                                


Foto cedida pelo Zoológico de Saint Louis
No início da década de 80, uma cobra-touro com duas cabeças foi doada para o Zoológico de Saint Louis. Ela cresceu até ficar com 90 cm de comprimento e viveu 2 anos e meio, um tempo extraordinariamente longo para animais com duas cabeças. A cobra tinha uma cabeça direita dominante e os funcionários tinham que colocar uma divisória entre as duas cabeças ao alimentar a cobra para que ela não lutasse contra si mesma.