Ao contrário do zinco ou do ferro, o chumbo não tem papel biológico no organismo. Ele é apenas uma toxina. Mas o corpo o trata como se fosse cálcio, de modo que se acumula em lugares em que o mineral é armazenado, como nos ossos. E como o cálcio exerce funções essenciais na comunicação entre células nervosas, nas contrações musculares e nos hormônios, o chumbo pode interferir nesses processos.
![]() © istockphoto.com / Glenn Bo Crianças correm risco especial de envenenamento por chumbo, de fontes como a tinta à base de chumbo usada para pintar brinquedos e em velhas casas e outras edificações |
Os sintomas podem ser facilmente percebidos em casos de envenenamento agudo por chumbo, com concentração relativamente elevada no sangue. Mas talvez seja menos perceptível em casos menos agudos, e só se revele em momentos de exposição crônica, com a elevação gradual do nível desse metal no sangue.
O efeito predominante do envenenamento por chumbo em crianças é cerebral. O cérebro de uma criança não tem um "circuito elétrico" completamente definido como o de uma casa. Em vez disso, à medida que a criança se desenvolve novos circuitos nervosos se formam em resposta a novas experiências, aprendizados e memórias (os neurocientistas denominam plasticidade a essa capacidade de formar novas conexões). Esses circuitos envolvem um ou mais neurônios que se comunicam com os demais em diversas partes do cérebro pelo envio e recepção de mensagens químicas, conhecidas como neurotransmissores. Os novos circuitos usam o glutamato como neurotransmissor.
Assim, o melhor tratamento é a prevenção. O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos recomenda que todas as crianças com seis anos ou menos sejam testadas em busca de traços de chumbo. Caso haja fontes potenciais do metal em sua casa - tinta descascada à base de chumbo ou canos de chumbo - você ou um profissional deve tentar removê-las (por meio de limpeza profissional, pintura nova sobre a tinta velha ou remoção do material perigoso).
Caso os níveis de chumbo no sangue sejam elevados, remédios vendidos sob receita - como o Succimer - podem reduzi-los. Porém, em casos extremos de exposição a chumbo, como em um acidente industrial, os níveis tóxicos podem ser removidos por terapia de quelação, um agente de quelação como o ácido etilenodiaminotetracético (EDTA) é injetado na corrente sanguínea. O agente se afixa ao chumbo. Os rins então expelem o EDTA que transporta o chumbo. Mas esse é um tratamento reservado a casos extremos de envenenamento.
Não somos os únicos corpos que o chumbo afeta negativamente. Ele penetra no ambiente pela água contaminada - água proveniente de canos de esgoto de chumbo, água de chuva contaminada pela poluição atmosférica ou que se infiltre em solo contaminado. Essa água contaminada chega ao lençol freático e aos ecossistemas aquáticos. O chumbo afeta adversamente os organismos nos primeiros elos da cadeia alimentar, como o plâncton (plantas e animais microscópicos) e os moluscos. Quando esses organismos morrem, se decompõem e liberam o chumbo de volta no ambiente. Ao serem comidos por organismos em estágios mais elevados da cadeia alimentar, como peixes, mamíferos marinhos, aves e seres humanos, o metal que portam se acumula nos tecidos desses outros organismos, e gera ainda mais efeitos adversos.
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