Sistemas de combate do futuro

Michael Ignatieff, membro do Parlamento Canadense (em inglês), previu um tipo de guerra do futuro onde o campo de batalha seria controlado de longe por computadores e analistas. Ele disse que essa guerra virtual seria ainda mais difícil de conceitualizar e organizar - e a previsão de Ignatieff parece ter se tornado realidade, ao menos em parte, na visão de futuro do exército dos Estados Unidos [fonte: USNA]. O exército americano chama essa visão de Sistema de Combate do Futuro (FCS), do qual o canhão NLOS é uma parte essencial.

O Sistema de Combate do Futuro usará veículos autônomos como aviões operados remotamente, veículos pesados tripuláveis como o Crusher, e mísseis lançados remotamente. Veículos tripuláveis, como o NLOC-S e seus similares (morteiro fora-da-linha-de-visão), bem como os meios de transporte dos médicos ou tropas, também farão parte dele; além, é claro, dos próprios soldados. Mas o centro do FCS está na rede.

Future Combat Systems soldier
Imagem cedida pelo Exército dos EUA
No Sistema de Combate do Futuro, o soldado estará mais conectado do que nunca, recebendo e enviando informações em tempo real

O FCS do exército estará baseado na integração e na conexão com o campo de batalha, da mesma forma como as antigas batalhas se baseavam na inteligência humana, nos rádios e nos mapas. A “cola” de alta tecnologia que conecta o FCS é a LandWarNet, "uma combinação de serviços que leva as transmissões de dados, voz e vídeo até as formações táticas" [fonte: Dept. of the Army]. A visão do exército sobre o futuro da guerra é uma força terrestre extremamente conectada, que recebe e envia informações, em tempo real, sobre as condições climáticas no fronte, a movimentação da tropa inimiga e a localização dos atiradores de elite, entre outras coisas.

A idéia por trás deste novo conceito de guerra é poupar os civis, americanos e locais. Para isso, a informação é de máxima importância. Os operadores remotos dos veículos estarão diretamente conectados aos soldados no campo de batalha, alertando-os das ameaças. Os soldados estarão conectados aos equipamentos como o NLOS-C, permitindo que os canhões mirem os alvos enfrentados pelas tropas terrestres. Os MGVs (veículos terrestres autônomos) também receberão informações dos aviões operados remotamente, permitindo que os canhões disparem diretamente contra os obstáculos que as tropas terrestres encontrarão no caminho.

Já faz um tempo que o Exército introduziu essas grandes mudanças em sua infra-estrutura – mais precisamente, desde os anos 70. O "desenvolvimento, pelo exército, da doutrina da AirLand Battle (batalha aeroterrestre) durante esse período resultou no tanque M1 Abrams, no Bradley Fighting Vehicle, no helicóptero Apache AH-64ª, no helicóptero Black Hawk UH-60A e no míssil Patriot", diz Rob Colenso, diretor de operações online do Army Times Publishing. Ele explica que "esses equipamentos conhecidos como os “Cinco Grandes” começaram a chegar às unidades do exército nos anos 80 e continuam sendo fundamentais nos dias de hoje". É claro que eles já não serão tão importantes quando o FCS for implementado.

Esse tipo de mudança, entretanto, não é barata. Em 2004, o custo da atualização do FCS era de, aproximadamente, US$ 117 bilhões [fonte: Defense Tech].

Mas um poder de fogo maior é apenas um passo para a paz. Para conseguir reduzir o número de vidas perdidas em ambos os lados do conflito, a diplomacia deverá acompanhar o ritmo do exército.

Para mais informações sobre as forças armadas e outros tópicos relacionados, visite a próxima página.