Usos da railgun

Por ser uma alternativa às armas atuais, as railguns são particularmente interessantes para as forças armadas. A munição dessas novas armas, na forma de pequenos mísseis de tungstênio, seria relativamente leve e fácil de transportar e manusear. Em razão das altas velocidades, os mísseis disparados pelas railguns estariam menos suscetíveis ao efeito da gravidade e às mudanças de vento do que as munições usadas atualmente. É claro que a correção de curso ainda seria importante, mas todos os mísseis disparados seriam guiados por satélite.

Outro desafio, porém, é projetar railguns de pequeno porte, principalmente em razão dos "trancos", que são os movimentos que a arma faz na direção oposta à da bala e são determinados pelo momento do projétil liberado. Para saber o momento, temos de multiplicar a massa do projétil por sua velocidade, que, nesse caso, seria bem alta. A solução talvez esteja em uma arma que dispare balas bem pequenas, já que elas diminuiriam o tranco mas ainda teriam energia cinética suficiente para infligir danos consideráveis.


Foto cedida ONR
Desenho artístico de um porta-aviões da Marinha americana
equipado com uma railgun

As railguns também foram sugeridas como componentes importantes da Iniciativa de Defesa Estratégica, mais conhecida como Guerra nas Estrelas, que é um programa do governo americano responsável pela pesquisa e desenvolvimento de um sistema espacial de defesa nacional contra ataques de mísseis balísticos estratégicos. Nesse contexto, as railguns poderiam disparar projéteis para interceptar os mísseis de outros países. Alguns cientistas afirmam que essas armas seriam capazes até de proteger a Terra contra asteróides vindos em nossa direção, permitindo que lançássemos projéteis de alta velocidade a partir de algum ponto de nossa órbita. Com o impacto, ou os asteróides seriam destruídos ou teriam sua trajetória alterada.

Mas não pense que as railguns possuem somente usos militares. Um exemplo de uso não militar seria o uso em lançamentos de satélites ou ônibus espaciais para a parte superior da atmosfera, ponto em que foguetes auxiliares entrariam em ação. Já em locais sem atmosfera, como a Lua, essas armas poderiam mandar os projéteis para o espaço sem nenhuma necessidade de propulsores químicos, que precisam de ar para funcionar.


Foto cedida Centro de Informação Visual de Defesa do Departamento de Defesa dos EUA
Desenho artístico da interceptação e destruição de veículos transportando armas nucleares por uma railgun posicionada no espaço

As railguns também poderiam ser usadas para iniciar reações de fusão. Essa reação ocorre quando dois núcleos atômicos pequenos se combinam para formar um núcleo maior. Esse é um processo que libera grandes quantidades de energia, mas que para que possa ocorrer, os núcleos atômicos devem estar viajando a velocidades enormes. O que alguns cientistas propõem é o uso de railguns para disparar projéteis de materiais fundíveis uns contra os outros, resultando em um impacto que criaria temperaturas e pressões imensas, permitindo que a fusão ocorresse.

No entanto, o fato é que muitas dessas aplicações ainda não saíram do mundo da teoria, experimentos e desenvolvimento. As railguns atuais não geram quantidades suficientes de energia para permitir, por exemplo, que a fusão nuclear ocorra e, além disso, será muito difícil um navio de guerra totalmente elétrico conseguir disparar projéteis com uma railgun antes de 2015.

Mesmo assim, a tecnologia é promissora. Em 2003, o Ministro da Defesa do Reino Unido organizou um teste em escala de 1 para 8, no qual uma railgun eletromagnética atingiu uma velocidade de Mach 6 no momento em que o projétil saiu da arma, algo em torno de 2.040 metros por segundo!

Se sucessos como esse continuarem, pode ser que um dia a railgun seja a arma principal no campo de batalha e o propulsor principal na plataforma de lançamento.

Para mais informações sobre railguns e assuntos relacionados, verifique os links na próxima página.

A ciência por trás da ficção


Foto cedida HowStuffWorks Shopper

Se você leu o texto e ficou se perguntando: onde foi que eu vi isso antes? É porque já deve ter visto armas baseadas em princípios semelhantes mostradas na cultura popular. No livro de Robert Heinlein, Revolta na Lua, colonizadores da Lua que lutam por sua independência usam um lançador eletromagnético para disparar contêineres de ferro cheio de rochas contra a Terra. E no filme "Queima de arquivo," Arnold Schwarzenegger atua como um agente do Serviço de Proteção às Testemunhas que se vê no meio de um plano secreto do governo para vender railguns a terroristas. Na série "Battlestar Galactica", uma das naves de guerra possui railguns que usam tanto tecnologias eletromagnéticas como convencionais.

E como se os exemplos acima já não fossem o bastante, saiba que essas armas já "deram as caras" até nos jogos eletrônicos: "Quake", "Metal Gear Solid" e "Red Faction" possuem esse tipo de arma.