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Para formar os blocos de C-4, os fabricantes de explosivos pegam o RDX em pó e o misturam com água para formar uma espécie de cimento. Depois, eles adicionam o material que dá a liga, dissolvido em um solvente, e misturam esses materiais com um agitador. A destilação (em inglês) é a maneira usada para remover o solvente posteriormente, ao passo que a secagem e a filtragem são usadas para remover a água. E o que sai como resultado é um explosivo sólido e relativamente estável, com consistência semelhante a de massa de modelar.
Assim como com os outros explosivos, é necessário aplicar um pouco de energia sobre o C-4 para iniciar a reação química. Por causa dos elementos estabilizadores, a reação precisa de um choque muito grande para acontecer. Acender o C-4 com um fósforo só irá fazê-lo queimar devagar como se fosse um pedaço de madeira. No Vietnã, os soldados literalmente queimavam o C-4 na hora de fazer fogo para cozinhar. E não adianta tentar: a reação não vai começar se você pegar um rifle e atirar no explosivo. Para conseguir iniciar essa reação, você vai precisar de um detonador.
![]() Foto cedida U.S. Department of Defense Uma unidade do exército americano detonou explosivos C-4 dentro desse tanque sérvio durante a Operação Guarda Conjunta |
Um detonador nada mais é do que um explosivo menor de fácil detonação. Um detonador elétrico, por exemplo, usa uma carga rápida para disparar uma pequena quantidade de material explosivo. Quando alguém dispara o detonador ao transmitir a carga pelo fio detonador para uma cápsula detonadora, por exemplo, a explosão aplica uma forte onda de choque, que dispara o C-4.
Quando a reação química começa, o C-4 se decompõe para liberar diferentes tipos de gases, especialmente, óxidos de nitrogênio e carbono. Inicialmente, os gases se expandem a cerca de 8.050 m/s, o que os faz atingir, com uma quantidade gigantesca de força, tudo o que estiver em seu redor. Com essa taxa de expansão, é completamente impossível correr da explosão, como se faz nos filmes de ação. O interessante é que, para alguém que observa de fora, a explosão é quase instantânea: em um momento está tudo bem e, no próximo, tudo se foi.
Na verdade, a explosão tem duas fases. A expansão inicial é a que inflige a maior parte dos danos. Além disso, cria uma área de baixa pressão em volta do ponto de explosão, os gases se movem para fora tão rapidamente que sugam a maior parte dos gases do local onde a explosão ocorreu. Após essa explosão para fora, os gases "correm" de volta para o vácuo da explosão, criando uma segunda onda de energia, só que menos destrutiva e para dentro.
Uma pequena quantidade de C-4 já provoca uma grande explosão. Menos de 450 gramas de C-4 tem potencial para matar várias pessoas e muitos daqueles blocos de C-4 de uso militar (M112), com cerca de meio quilo cada um, conseguem destruir um caminhão. Os especialistas em demolição costumam usar uma boa quantidade de C-4 para fazer um trabalho bem feito. Para uma viga de 20,3 centímetros quadrados de aço, por exemplo, eles usariam de 3,6 a 4,5 kg de C-4.
Não há limites: as pessoas usam o poder explosivo do C-4 para todos os tipos de destruição. Uma aplicação comum são as demolições militares, nas quais soldados o colocam em rachaduras e fendas para explodir paredes pesadas. Ele também já foi muito usado como arma para matar pessoas, tanto em batalhas como em ataques terroristas. No Vietnã, por exemplo, além das granadas os soldados também usavam bombas de C-4. Uma arma notável, a mina claymore (produz uma explosão em forma de leque quando detonada), consistia em um bloco de C-4 com vários rolimãs embutidos. Quando o C-4 era detonado, as bolinhas de rolimã viravam projéteis voadores letais (esse tipo de arma também apareceu no filme A senha: swordfish).
Infelizmente, tudo indica que o C-4 vai continuar nas manchetes pelos próximos anos. Em razão de sua estabilidade e poder de destruição, ele tem atraído a atenção de terroristas e guerrilheiros de todo o mundo. Como uma pequena quantidade de C-4 consegue causar muitos danos, é relativamente fácil contrabandeá-lo sem que forças de segurança o detectem. O exército americano é o principal fabricante de C-4 e, apesar de manter seu estoque sob rígida vigilância, existem várias outras fontes de materiais explosivos semelhantes, incluindo o Irã, que possui uma história de conflitos com os EUA. Se permanecer tão facilmente acessível, o C-4 continuará sendo uma das principais armas do arsenal do terror.
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