Introdução a Existe um buraco no universo

Em agosto de 2007, cientistas da Universidade de Minnesota, nos EUA, publicaram uma descoberta surpreendente no Astrophysical Journal. Eles declararam que o Universo tinha um buraco: um buraco muito maior do que qualquer coisa que os cientistas já tinham visto ou esperavam. Esse "buraco" alcança quase um bilhão de anos-luz e está entre seis e dez bilhões de anos-luz da Terra, na constelação de Erídano [fonte: Daily Tech (em inglês)]. Para referência, um ano-luz equivale a 9,461 trilhões de quilômetros.

Galeria de imagens do espaço sideral (em inglês)

o alastramento da radiação cósmitca de fundo
Bill Saxton, NRA/AUI/NSF, NASA
Essa foto descreve a expansão da radiação cósmica de fundo em microondas (CMB), começando com o Universo logo após o Big Bang (esquerda), se estendendo através das inúmeras galáxias do Universo, aglomerados e vazios (centro), e terminando com um mapa CMB recente. No vazio gigante, o satélite WMAP (no alto, à esquerda) detecta uma mancha fria enquanto o rádio-telescópio VLA (abaixo, à esquerda) observa menos galáxias.

O que faz dessa vasta área do Universo um buraco? A área mostra quase nenhum sinal de matéria cósmica, o que significa nenhuma estrela, planetas, sistemas solares ou nuvens de poeira cósmica. Pesquisadores não conseguiram encontrar nem mesmo matéria escura, que é invisível, mas mensurável por seu empuxo gravitacional. Também não há sinais de buracos negros que possam ter engolido a matéria que já esteve presente na região.

O buraco foi detectado inicialmente por um programa da NASA que estuda a expansão da radiação emitida a partir do Big Bang, que os cientistas acreditam que gerou nosso Universo. Depois, ele foi examinado mais detalhadamente com as informações obtidas pelo telescópio Very Large Array (VLA), usado no Projeto de Levantamento do Céu pelo VLA do NRAO (Observatório Nacional de Radioastronomia dos EUA) para estudar grandes seções do céu visível.

Um pesquisador descreveu a descoberta como algo "anormal", que vai contra as simulações de computador e estudos passados. Outros buracos como esse, também conhecidos como vazios, foram encontrados antes, mas essa descoberta é, de longe, a maior delas. Outros vazios têm cerca de 1/1000 do tamanho desse, enquanto cientistas já observaram um vazio a dois milhões de anos-luz de distância: praticamente no final da rua em termos cósmicos.

O astrônomo Brent Tully disse à Associated Press que vazios galácticos muito provavelmente se desenvolvem porque regiões do espaço com alto nível de massa puxam matéria de áreas com menos massa. Durante bilhões de anos, uma região pode perder a maior parte de sua massa para uma região vizinha com mais massa. No caso desse vazio gigante, estudos adicionais podem revelar alguma matéria na região, mas ainda seria bem menos daquela encontrada em partes "normais" do espaço.

Dissemos no início que o vazio foi primeiramente descoberto através de um programa da NASA que examina a origem da radiação do Big Bang. Na próxima página, veremos mais de perto o programa e como os cientistas podem retroceder na história do Universo (quase ao seu início) para fazer descobertas como essa.