![]() |
Bem, não exatamente através da língua, mas o aparato em sua boca enviou uma mensagem visual por meio da língua de forma muito similar a quando as pessoas recebem informações visuais. Em ambos os casos, o mecanismo de informação sensorial inicial (a língua ou os olhos) envia os dados visuais para o cérebro, onde eles são processados e interpretados para formar as imagens. Estamos falando aqui de estimulação eletrotátil para aumento ou substituição sensorial, uma área de estudo que envolve o usa da corrente elétrica codificada para representar as informações sensoriais (as informações que uma pessoa não pode receber por meio dos canais normais) aplicando essa corrente à pele, que envia a informação ao cérebro. O cérebro aprende a interpretar essa informação sensorial como se fosse enviada através do canal tradicional para cada dado. Nas décadas de 60 e 70, esse processo foi assunto de pesquisa pioneira na substituição sensorial no Instituto Smith-Kettlewell liderado por Paul Bach-y-Rita, mestre, professor de ortopedia e reabilitação e engenharia biomédica na Universidade de Wisconsin, Madison. Agora é a base para a tecnologia do BrainPort da Wicab (Dr. Bach-y-Rita é também cientista-chefe e presidente da Wicab).
Os conceitos no trabalho da estimulação eletrotátil para substituição sensorial são complexos, e os mecanismos de implementação também. A idéia é comunicar informações não táteis via estimulação elétrica do sentido do tato. Na prática, isso significa que uma série de eletrodos, recebendo informação de uma fonte de informação não tátil (uma câmera, por exemplo), aplica correntes elétricas pequenas, controladas e não doloridas (alguns sujeitos relatam sentir algo como gás de refrigerante) na pele em localizações precisas, de acordo com o padrão codificado. A codificação do padrão elétrico, em especial, tenta fazer mímica da informação que receberia pelo sentido que não está funcionando. Então, os padrões de luz obtidos por uma câmera para formar uma imagem, substituindo a percepção dos olhos, são convertidos em pulsos elétricos que representam aqueles padrões de luz. Quando os pulsos codificados estão aplicados à pele, ela está realmente recebendo as informações da imagem. De acordo com o Dr. Kurt Kaczmarek, co-inventor da tecnologia BrainPort e cientista sênior do Departamento de Ortopedia e Reabilitação Médica da Universidade do Wisconsin, o que acontece depois é que "o campo de eletricidade, assim que gerado no tecido subcutâneo, excita diretamente as fibras nervosas aferentes responsáveis pelas sensações de toque mecânico e normal". Essas fibras nervosas, através de sinais de toque de imagem codificada, sinalizam para a área sensorial tátil do córtex cerebral, o lobo parietal.
Dentro desse sistema, uma série de eletrodos pode ser usada para comunicar informações não táteis por meio de caminhos para o cérebro, geralmente usado para impulsos relacionados ao toque. Essa é uma área muito popular de estudo atualmente, e os pesquisadores estão observando caminhos intermináveis para utilizar a vontade aparente do cérebro de adaptar informação sensorial cruzada. Os cientistas estão estudando como usar a estimulação eletrotátil para fornecer informações sensoriais a portadores de deficiência visual, auditiva e motora e aqueles que perderam a sensibilidade do tato em certas áreas da pele em razão de algum tipo de dano no nervo. Um aspecto fascinante da pesquisa enfatiza como quantificar certas informações sensoriais em termos de parâmetros elétricos; em outras palavras, como transmitir a "leitura tátil" usando as características da eletricidade.
Esse é um campo de estudo científico que tem sido pesquisado por quase um século, mas que tem tido resultados positivos nas últimas décadas. A miniaturização de equipamentos eletrônicos e dos computadores mais potentes fez deste tipo de sistema uma realidade em vez de só uma demonstração laboratorial. Surge o BrainPort, um aparato que usa estimulação eletrotátil para transmitir informação sensorial não tátil para o cérebro. Ele usa a língua como um canal sensorial substituto. Nesta seção, vamos analisar BrainPort.