Operações Psicológicas dos Boinas Verdes

Vencer uma guerra requer mais que armamento, suprimentos e tropas. Também é de bastante ajuda o apoio (ou pelo menos a anuência) da população local. Quando o General de Brigada Robert McClure ajudou a fundar os Boinas Verdes em 1952, sabia que as táticas convencionais pediam ajuda psicológica. A propaganda já havia sido usada em larga escala na Segunda Guerra Mundial, e em vários níveis em todas as guerras em que os Estados Unidos se envolveram antes dela. Mas McClure ajudou a trazer a psicologia de ganhar os "corações e mentes" de um povo conquistado para o âmbito da ciência militar.

Um exemplo das Operações Psicológicas
Imagem cedida por USASOC
Soldado cola cartazes sobre parede pichada
no Iraque em uma
missão das Operações Psicológicas

Desde o início, os Boinas Verdes sempre foram treinados em Operações Psicológicas (PSYOPs) no Centro de Psicologia de Guerra de Fort Bragg, Carolina do Norte (em Inglês). Este treinamento é intercalado e apoiado pelo treinamento em línguas, sensibilidade cultural, e intenso estudo das Áreas de Operação (AOs) do grupo. Ao compreender os valores do povo de uma área, os Boinas Verdes podem auxiliar no ajuste das mensagens contidas nas operações psicológicas para obterem o melhor resultado possível. Operações psicológicas de grande escala são criadas pelo comando de operações psicológicas, o Comando de Operações Psicológicas e Interesses Civis das Forças Armadas dos Estados Unidos (em inglês) (USACAPOC). Mas as missões de verdade em terra são geralmente realizadas pelos Boinas Verdes.

Convencer um povo que sofreu invasão de que a ocupação de seu país pelos Estados Unidos é benéfica pode ser uma tarefa monumental. Mesmo assegurar à população que os militares não vão lhe fazer mal pode ter efeitos de longo alcance no resultado de uma guerra. As operações psicológicas também fazem parte das tarefas de pós-guerra dos Boinas Verdes - orientar um líder sobre como ganhar o apoio de um grupo descontente da população, por exemplo.

Técnicas de Operações Psicológicas

As operações psicológicas podem assumir muitas formas, mas geralmente são compostas por uma vasta variedade de técnicas de propaganda. Algumas são extremamente óbvias, como encorajar a população local a se tornar militante através de panfletos e folhetos jogados de aviões. Outras técnicas incluem a transmissão de mensagens via televisões e rádios locais.

O contato pessoal também é importante, como patrulhas que visam a cumprimentar a população local e incluem atos de benevolência e ajuda humanitária (falaremos mais sobre isso a seguir). A imagem de um soldado entregando um ursinho de pelúcia a uma menininha, ou um pelotão distribuindo água pode ter um efeito positivo na maneira como os militares americanos são vistos. É tarefa dos Boinas Verdes determinar as maneiras mais eficazes de conduzir as operações psicológicas, e eles também podem ter um papel ativo na sua execução.

Nem sempre isso acontece no contexto de uma guerra. Às vezes as operações psicológicas podem ser usadas para prevenir guerras. No Haiti, em 1994, os Estados Unidos tiveram muito equilíbrio para invadir as Ilhas do Caribe (em inglês) para restaurar o governo do Presidente Jean-Bertrand Aristide e depor o regime militar que governava o país. Na operação chamada de Defesa da Democracia, os Boinas Verdes realizaram operações psicológicas, incluindo distribuição de panfletos e transmissão por rádio de discursos de Aristide, e conseguiram convencer os cidadãos do país de que a "democratização" seria benéfica para sua nação. Estas operações de propaganda foram consideradas de extremo sucesso, e as forças convencionais americanas que entraram no país encontraram pouca resistência armada, o que poupou vidas de ambos os lados.

No próximo capítulo, falaremos sobre o papel humanitário dos Boinas Verdes.