Algumas das operações mais importantes dos Boinas Verdes acontecem em tempos de guerra. Existem dois tipos de táticas em época de guerra: convencional e não-convencional, em uma guerra pode haver os dois tipos. A guerra convencional inclui operações militares em grande escala. Tanques, aviões, navios e grandes forças de tropas são usados. Pense na guerra convencional como uma marreta - o golpe pode causar um efeito profundo, e ela é pesada e de difícil manejo.
![]() Imagem cedida por 1º Sargento Jeremy T. Lock/Força Aérea Os Boinas Verdes, como este soldado retratado no centro de Bagdá em 2003, são treinados para servirem como "diplomatas de guerra" |
Imagine que um país em guerra é uma grande célula. O front - a linha divisória entre oponentes militares - é a parede da célula. Apesar de batalhas e combates enfraquecerem e mudarem a parede da célula, ela é geralmente reforçada. As táticas convencionais conseguem somente diminuir sua força. A melhor maneira de romper a parede de uma célula é por dentro e por fora ao mesmo tempo.
O papel dos Boinas Verdes em períodos de guerra é penetrar esta célula e criar insurreições dentro do território inimigo, o que geralmente é perigoso: frequentemente pede-se que os Boinas Verdes trabalhem sozinhos, por longos períodos. Eles vivem como os habitantes locais, interagindo com eles para conseguir informações e ganhar sua confiança. Os Boinas Verdes vivem de suas próprias sanidades mentais, tomando suas próprias decisões com pouca, às vezes nenhuma, interferência ou ajuda de seus superiores.
Para ter sucesso, um Boina Verde deve trabalhar à paisana com freqüência, deixando-o vulnerável e fora da jurisdição da Convenção de Genebra. De acordo com a Convenção de Genebra - tratado global que define as funções de um combatente durante a guerra e que descreve os seus direitos -, nenhum soldado capturado sem uniforme está sujeito à proteção da Convenção. Isso significa que ele pode ser torturado e assassinado se for encontrado por combatentes inimigos, o que torna seu trabalho muito mais perigoso.
Uma vez dentro do território inimigo, os Boinas Verdes identificam grupos insatisfeitos, aquelas pessoas que não estão felizes com a atual estrutura de poder ou com as condições de vida correntes. Podem ser tribos nativas ou comunidades que tenham sido maltratadas pelo atual poder, minorias, ou a própria estrutura de poder anterior. Os Boinas Verdes unem estas pessoas - geralmente com históricos bastante diversos - em uma força de combate ou em exércitos de guerrilha. Isso se chama multiplicar forças (expandir o número de tropas combatendo junto com os Estados Unidos (em inglês) contra outras forças armadas através do recrutamento de pessoas nativas), e os Boinas Verdes são bons nisso. Durante a Guerra do Vietnã (em inglês), por exemplo, alguns Boinas Verdes conseguiram reunir várias tribos indígenas em um exército de 60 mil membros, a Força de Defesa Irregular Civil.
Os exércitos de guerrilha que os Boinas Verdes reúnem atrás das linhas inimigas são treinados, equipados e liderados pelas Forças Especiais. Os Boinas Verdes também são muito bons em coletar informações sobre o inimigo, assim como disseminar desinformações, e até mesmo afetar diretamente as capacidades de informações das forças armadas oponentes através de ataques à infra-estrutura de comunicações.
Devido à sua discrição e habilidade de desaparecer subitamente, os Boinas Verdes são um recurso de muito valor na localização de alvos para as forças armadas convencionais. No Afeganistão (em inglês), por exemplo, os Boinas Verdes selecionaram e obtiveram os alvos que teriam mais impacto para os mísseis dos Estados Unidos.
Mas os Boinas Verdes também podem ser diplomatas. No próximo capítulo, falaremos sobre os papéis que eles representam na política regional e nacional de nações estrangeiras.