Evolução e luz compartilhada

Os animais podem armazenar essas substâncias em seus próprios corpos ou desenvolver uma relação simbiótica com as bactérias que produzem luz. Essas bactérias vivem em um órgão luminoso no corpo do organismo hospedeiro. As bactérias produzem luz o tempo todo, por isso, para acender e apagar suas luzes, alguns animais podem puxar seus órgãos luminosos para dentro do corpo. Outros cobrem-nos com pedaços de pele semelhantes às pálpebras. Alguns organismos também utilizam uma substância fluorescente, como a GFP (green fluorescent protein - proteína fluorescente verde), para ajustar a cor da luz que criam. A substância fluorescente absorve a luz verde-azulada e emite-a como uma cor diferente.


Foto de M. J. McFall-Ngai e E. G. Ruby, University of Hawaii
através da NSF

Órgão luminoso da lula Euprymna scolopes


Foto de J. W. Hastings, Harvard University, por meio de E. G. Ruby, University of Hawaii, através da NSF
Vibrio fischeri, que produz luz no órgão luminoso da lula
Devido a todas essas variações em luciferinas, luciferases e a forma como os animais as utilizam, muitos pesquisadores acreditam que a capacidade de produzir luz simultânea e independentemente evoluiu em várias formas de vida. O fato de existirem alguns animais bioluminescentes em ambientes de água doce apóia essa teoria. Corpos de água doce não existiam até surgirem os oceanos, por isso, os animais que vivem lá não tiveram muito tempo para se adaptarem ao ambiente. Além disso, as bases da maioria dos corpos de água doce não são escuras o suficiente para necessitarem de fontes de luz adicionais.

Bioluminescência na lula Euprymna scolopes adulta
M. J. McFall-Ngai e E. G. Ruby, University of Hawaii, Courtesy National Science
Uma lula Euprymna scolopes adulta, que abriga
bactérias luminescentes em seu órgão luminoso

­Os animais têm muitos métodos de produzir e usar a luz, e as pessoas descobriram vários usos para a luz que esses animais criam. Os pesquisadores podem usar organismos luminescentes unicelulares, que acendem quando incomodados, para estudarem a forma como os animais se movimentam na água. Os cientistas também deram características bioluminescentes a animais não-luminescentes para realizarem uma pesquisa sobre a progressão de doenças como câncer e o mal de Alzheimer. Tal pesquisa pode tornar a bioluminescência tão útil às pessoas quanto é para outras formas de vida.

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Fluorescência
Embora alguns animais utilizem a fluorescência para criar a luz, ela não é a mesma coisa que bioluminescência. Na bioluminescência, duas ou mais substâncias combinam-se para gerar a luz, como as substâncias em um bastão luminoso. Na fluorescência, uma substância absorve a luz de uma cor e emite a luz de outra cor. Um exemplo disso são os pôsteres, que brilham uma cor púrpura quando colocados sob uma luz negra.