Por que os animais produzem luz

Os cientistas não sabem por que todas as formas de vida bioluminescentes brilham. Por exemplo, várias espécies de minhoca criam uma secreção luminescente sem nenhum propósito evidente. A razão de alguns cogumelos brilharem também é desconhecida, embora alguns cientistas criem teorias de que o brilho atrai os insetos, que acabam espalhando as sementes dos cogumelos. Alguns animais acendem quando animais próximos começam a brilhar, e nem sempre existe uma razão clara para esse comportamento.

Essa incerteza existe no oceano, assim como na terra. Algumas espécies de plâncton unicelular, chamadas de dinoflagelados, brilham quando são incomodadas. Marés, tempestades, animais de vida marinha e os navios que passam podem fazer com que grandes quantidades de plâncton produzam luz simultaneamente. Os dinoflagelados são responsáveis pelo fenômeno conhecido como mar luminoso, que faz o oceano brilhar. Em alguns casos, esse brilho é tão intenso que interfere na navegação marítima.

 

Um mar luminoso de 15.000km² distante da costa da África
Foto cedida por Navy Research Lab
Um mar luminoso de 15.000km² distante da costa da África,
descoberto em 2005, era visível do espaço

A teoria do alarme contra roubos é uma possível explicação para a forma como essa reação à perturbação ajuda na sobrevivência do plâncton. Se um peixe pequeno começa a se alimentar de plâncton, esse plâncton atacado emite um clarão. A luz atrai peixes maiores, que provavelmente serão os predadores dos menores. Em outras palavras, o clarão é um alarme que chama a atenção de animais maiores próximos para a presença de animais pequenos. Contudo, esse sistema não parece ser tão seguro quanto alguns usos mais lógicos da bioluminescência.

­Segue o resumo de alguns usos principais da bioluminescência na terra e no mar:

  • comunicação: os vaga-lumes  piscam um para o outro seguindo um padrão específico das espécies, geralmente, para encontrar um parceiro;
  • localização de alimento: nas profundezas crepusculares do oceano, algumas espécies de peixes usam sua luz como uma espécie de lanterna para localizarem a presa;
  • atração da presa: algumas espécies, como o peixe-sapo, utilizam uma isca luminescente para atrair outro peixe;
  • camuflagem: nas partes mais escuras do oceano, é difícil conseguir ver qualquer coisa abaixo de você, mas é fácil enxergar o contorno do que está acima. Por esse motivo, algumas espécies produzem pontos luminosos nas suas partes de baixo, que deixa seu contorno turvo e permite que elas se misturem com a luz que vem da superfície. Isso também é conhecido como iluminação contrária;
  • disfarce: o tubarão charuto possui uma parte de baixo apagada, que se assemelha a um peixe menor quando vista de baixo. Quando um grande predador se aproxima, o tubarão pode tirar um grande pedaço e, então, fugir. Isso permite que o tubarão charuto mate animais muito maiores e mais fortes do que ele;
  • auto-defesa: quando ameaçados, alguns animais liberam um jato de líquido bioluminescente, semelhante à forma como a lula se defende com uma névoa de tinta. Outros utilizam uma luz brilhante para cegarem os predadores.

Além de terem várias finalidades diferentes para a luz, os organismos bioluminescentes combinam muitas substâncias diferentes para produzi-la. Na próxima seção, veremos os princípios básicos do processo.