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| bestas |
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A verdade, porém, é que as bestas já existiam muito tempo antes de as armas de fogo serem criadas. Arqueólogos encontraram bestas em túmulos chineses de mais de 2.500 anos. E alguns historiadores acreditam que elas já existiam na China em 2000 a.C. Por volta do século IV d.C., as bestas também apareceram na região do Mediterrâneo. O escritor militar romano Flavius Vegetius Renatus faz menção a elas em um texto de 385 d.C. Além disso, elas predominaram na Europa durante toda a Idade Média.
![]() Imagem cedida Sandia National Laboratories O diagrama que Leonardo da Vinci fez de uma besta |
Tanto na sociedade chinesa como na mediterrânea, as primeiras bestas tinham as mesmas partes básicas. E se tratavam, essencialmente, de um arco fixado horizontalmente em hastes de madeira ou coronhas. Quando uma flecha, ou seta, era disparada, ela passava por uma ranhura ou através de uma fenda na haste. Ambos os tipos também incorporaram dispositivos para facilitar a ação de esticar o fio. Um desses dispositivos em comum era um estribo na parte frontal da besta. Uma pessoa podia prender a besta com o pé enquanto puxava o fio com as duas mãos ou com um gancho preso a seu cinto.
E ambos os tipos de bestas tinham um gatilho para liberar o fio engatilhado. As bestas romanas usavam uma porca rotatória que era presa por uma alavanca, ao passo que os chineses usavam um sistema de ganchos e alavancas. O fato de os dois tipos de bestas possuírem mecanismos de disparo tão diferentes levou os historiadores a acreditarem que as duas culturas os desenvolveram de maneira independente.
Pode ser difícil acreditar que duas culturas diferentes inventariam o que praticamente é o mesmo equipamento, mas a besta nada mais é do que um aperfeiçoamento lógico do arco, que já existia desde a pré-história. Os primeiros arcos eram simples pedaços de madeira que tinham suas pontas conectadas por uma corda. Depois, melhorias como formatos mais eficientes e materiais melhores os deixaram mais potentes e eficazes. Mesmo assim, ainda são necessárias força, agilidade, velocidade e habilidade para disparar um arco de maneira rápida e com precisão. Tornar-se um arqueiro experiente com arcos longos, por exemplo, pode levar anos.
Já as bestas, por outro lado, não precisam da mesma força física e treinamento que os arcos comuns:
![]() Imagem de domínio público Besta com cranequin |
No geral, as bestas podiam ser muito rápidas ou muito potentes, mas não ambos ao mesmo tempo. Um exemplo disso é que, no século XIV, os artesãos de bestas da Europa começaram a fabricar armas com aço e incorporaram cranequins em seu design. Um cranequin era uma roda dentada presa a uma manivela. Quando girava a manivela, a roda movimentava uma haste dentilhada, que puxava a corda e engatilhava a besta. Graças ao cranequin, um soldado conseguia engatilhar bestas que não teria força suficiente para engatilhar sozinho. No entanto, o soldado tinha de retirar o cranequin após cada tiro, e reengatilhar e recarregar uma besta com um cranequin poderia levar vários minutos.
Seguindo um caminho diferente, algumas bestas chinesas eram construídas para proporcionar velocidade. Os criadores adicionavam alavancas para engatilhar e pentes cheios de flechas ao modelo básico de besta. As flechas caíam automaticamente do pente quando a corda era engatilhada. Havia, inclusive, bestas que lançavam a flecha automaticamente nesse momento. Com esse tipo de besta, um soldado era capaz de disparar várias vezes por segundo, embora as flechas não voassem tão rapidamente ou causassem tanto estrago quanto uma flecha disparada de uma besta de aço equipada com um cranequin.
Independentemente de a besta ser construída para ter potência ou velocidade seu funcionamento é praticamente o mesmo que o de um arco. Na próxima seção, vamos dar uma olhada nos fatores que afetam a força e velocidade de um arco.