Como as sementes são armazenadas em bancos?

A coleta, a organização e o armazenamento de sementes varia conforme os recursos do banco. Vamos ver como uma instalação administra sua coleção de sementes para ter uma idéia do processo. As etapas a seguir mostram como o Departamento de Meio Ambiente e Preservação, na Austrália, armazena suas sementes.

  • Em primeiro lugar, os pesquisadores decidem quais sementes coletar. Em geral eles dão prioridade a plantas ameaçadas.

  • Após as plantas serem localizadas, começa a coleta das sementes. As sementes são mais viáveis para coleta e armazenamento quando maduras. No caso das frutas, a maioria libera suas sementes quando está madura. Entretanto, algumas plantas irão reter suas sementes por períodos prolongados, o que permite um tempo de coleta mais longo. Outras plantas podem liberar sementes irregularmente e assim requererem a repetição das visitas.

  • Os pesquisadores coletam as sementes manualmente usando pinças, cortadores de ramos, armadilhas ou redes para sementes e conchas, dependendo do tipo de planta.

  • Para cada coleta eles registram detalhes como localização, descrição da planta, habitat, tipo de solo e outras informações. Essas informações fornecem dados sobre a população local de plantas e asseguram condições ideais de replantio.

  • Os coletores designam para cada amostra um número exclusivo.

  • Os coletores limpam cada amostra para garantir alta qualidade. Pode-se limpar as sementes agitando-as através de uma peneira ou com uma máquina que sopra ar sobre elas.

  • Para reduzir o teor de umidade, os coletores secam as sementes em uma sala com temperatura e umidade controladas. Posteriormente, colocam as sementes em recipientes vedados, impermeáveis ao ar.

  • A etapa final do armazenamento é congelar as sementes a menos de 20ºC.
[fonte: Nature Base]

Sementes de difícil armazenagem podem responder melhor à criopreservação - ou armazenagem in-vitro. Por exemplo, a planta da banana não produz sementes, portanto são necessários métodos de armazenagem alternativos. A armazenagem in-vitro significa que tecidos vivos da planta são armazenados em vez de sementes. Depois, os cientistas colocam esses tecidos vivos em nitrogênio líquido (cerca de -196ºC) para garantir melhor armazenagem a longo prazo [fonte: Bioversity International (em inglês)].

­Embora a validade varie de cultura para cultura, a maioria das sementes pode sobreviver em armazenagem a frio por décadas e algumas ainda por mais tempo. No fim, entretanto, todas as sementes morrerão, mas antes que isso aconteça, os cientistas removem as sementes da armazenagem e as plantam para colher e rearmazenar sementes frescas.

Com todas essas sementes em estoque, quem é proprietário delas? Normalmente os proprietários dos bancos de sementes controlam suas próprias sementes. Mas no caso do Cofre de Svalbard, na Noruega, os depositantes retêm os direitos de posse das sementes que depositam [fonte: Svalbard FAQ (em inglês)]. Naturalmente, esses direitos de propriedade não impedem um país de emprestar sementes a outro país em necessidade.

DNA das plantas

Um organismo geneticamente modificado (OGM) é um organismo - neste caso uma planta - que teve seu DNA alterado para a obtenção de um produto diferente ou melhorado. Oponentes das culturas de OGMs alegam que os cientistas sabem pouco sobre os efeitos a longo prazo. Os patrocinadores destacam que os agricultores vêm modificando geneticamente as culturas durante séculos, por meio de enxertos e híbridos [fonte: Pogash (em inglês)]. Atualmente, o Cofre de Svalbard proíbe a armazenagem de plantas geneticamente modificadas, mas o real conceito de diversidade de culturas e bancos de sementes permite acesso à criação contínua de OGMs. Assim, no caso de Svalbard, parece que ambos os lados ganham [fonte: Svalbard FAQ (em inglês)].

A seguir, veremos mais de perto o "Cofre do Juízo Final", juntamente com outras instalações de bancos de sementes ao redor do mundo.

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