Por que os bancos de sementes são necessários?

Embora você possa pensar que o conceito esteja arraigado no movimento "verde" contemporâneo, os bancos de sementes não são um fenômeno novo. Os cientistas acreditam que a agricultura começou por volta do ano 8.000 a.C., nas montanhas da Mesopotâmia (atualmente Iraque). Mesmo naquele tempo, os agricultores perceberam que precisavam proteger as sementes se quisessem garantir a colheita do ano seguinte. Em conseqüência disso, a colheita das sementes foi um dos rituais mais importantes nas antigas comunidades agrícolas. No Iraque, os cientistas descobriram evidências de bancos de sementes em 6.750 a.C. [fonte: Seabrook (em inglês)].

Desde então, bancos de sementes protegeram as sementes das intempéries e dos animais. Hoje, armazenamos sementes por diferentes razões. A principal delas é a diversidade de culturas. Assim como os seres humanos possuem características genéticas específicas, as plantas também. E assim como os seres humanos evoluíram e se adaptaram a condições específicas ao longo do tempo, o mesmo aconteceu com as plantas. Variedades diversas de plantas são adaptadas para finalidades diferentes. Um bom exemplo é o milho, que é cultivado em várias partes do mundo e em climas distintos, o que cria diferentes variedades de milho [fonte: Rosenthal (em inglês)].

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China Photos/Stringer/Getty Images
O milho se apresenta em variedades diferentes,
dependendo do clima e da região

­Essa diversidade deve ser preservada - não porque precisamos de 50 variedades de pipoca, mas porque não queremos perder nenhuma planta que possa ser valiosa no futuro. Por exemplo, nos anos 70 a disseminação de um fungo cortou pela metade a produção de milho dos Estados Unidos. A praga foi aliviada com o uso de material genético proveniente de um parente selvagem do milho que os cientistas descobriram ser resistente ao fungo [fonte: WWF (em inglês)].

Com exceção da diversidade de culturas, há outras razões pelas quais necessitamos armazenar e preservar sementes.

  • Mudança do clima - os cientistas estão preocupados que a mudança do clima possa provocar condições de tempo extremas e trazer novas pestes a alguns ambientes. Esses eventos podem fazer com que certas espécies de plantas sejam extintas [fonte: Rosenthal (em inglês)].

  • Desastres naturais - podem provocar devastação no ecossistema de uma região. Depois que o tsunami de 2004 destruiu arrozais na Malásia e no Sri Lanka, bancos internacionais de sementes supriram os fazendeiros locais com variedades de arroz para que eles recomeçassem o cultivo [fonte: Roug (em inglês)].

  • Doença - determinadas doenças destroem culturas com rapidez e facilidade. Por exemplo, uma recente variedade de doença chamada ferrugem do caule (Ug99) pode infectar até 25% do suprimento mundial de trigo [fonte: Singh (em inglês)].

  • Desastres artificiais - podem ser tão devastadores para a vida das plantas quanto os desastres naturais. Um exemplo óbvio seria a guerra. De fato, um dos bancos de sementes vitais para o Iraque foi saqueado durante combate [fonte: Pearce (em inglês)].

  • Pesquisas - povos nativos usaram plantas para curar doenças durante séculos. Uma em cada seis plantas silvestres é usada para finalidades medicinais [fonte: Levine (em inglês)]. Quem sabe quais doenças a planta ou a erva certa poderia erradicar?

Agora que entendemos por que os bancos de sementes são necessários, vamos descobrir quais sementes ficam armazenadas. Todas as plantas têm um lugar garantido no banco de sementes? Leia a próxima página para descobrir.

A diversidade de culturas e a crise da batata irlandesa

A crise da batata irlandesa dos anos 1840 devastou a população e a economia da Irlanda. Agora sabemos que se a cultura de batata da Irlanda fosse mais diversificada, a crise poderia ter sido evitada. As batatas irlandesas nos anos 1800 eram, em sua maioria, clones genéticos umas das outras e, portanto, sensíveis às mesmas doenças. Se as culturas da Irlanda fossem mais diversificadas geneticamente, certas variedades seriam resistentes à doença, o que poderia ter evitado a catástrofe. Os cientistas desde então encontraram outra variedade na América do Sul que agora é cultivada ao lado das outras batatas [fonte: Understanding Evolution (em inglês)].