Introdução


bancos de genes

É pr­aticamente impossível falar sobre bancos de genes sem mencionar a história bíblica de Noé. O Velho Testamento fala que Noé reuniu um casal de cada espécie de animal em uma enorme arca de madeira para que sobrevivessem a um terrível dilúvio. A chuva começou a cair, a embarcação a vagar pelas águas, e todo o resto ficou inundado. Depois que a água finalmente baixou, os animais desembarcaram para repovoar uma Terra desolada e alagada.

Arca de Noé
Imagno/Hulton Archive/Getty Images
Essa pintura do século 16, de Kaspar Memberger, ilustra a entrada dos animais na arca da história bíblica do grande dilúvio. Os bancos de genes modernos tentam, de forma semelhante, proteger diversas espécies contra uma possível extinção

Quer você acredite ou não nessa história, a questão é que o trabalho de Noé é muito semelhante aos esforços de hoje para se construir bancos de genes. Hoje em dia, não há embarcações de madeira gigantes, e o objetivo vai muito além de reunir gados e animais exóticos. Ao contrário, os pesquisadores trabalham coletando amostras genéticas de milhares de plantas e animais e armazenando-as em cofres congelados.

Os genes de um organismo são basicamente seus códigos, filamentos de DNA cuidadosamente detalhados em cada célula viva. Congelando corretamente esse material genético, podemos preservar os códigos por gerações.

São muitos os esforços semelhantes aos de Noé. Atualmente, há mais de 900 espécies de animais ameaçadas de extinção no planeta, de acordo com o U.S. Fish and Wildlife Service (Departamento de Pesca e Vida Selvagem dos Estados Unidos). Em vez de enfrentarem um dilúvio causado por Deus, essas espécies são ameaçadas pelas condições provocadas por séculos de expansão, exploração e poluição humanas. Se preservarmos seus genes agora, os cientistas acham que seremos capazes de reintroduzi-las mais tarde através da clonagem. 

Mas os bancos de genes são mais do que um simples sistema global de backup para a próxima vez que a raça humana excluir acidentalmente um arquivo importante. Coletando os arranjos genéticos principais de plantas e animais do planeta, podemos estudar melhor o funcionamento interno do mundo natural.

Nesse artigo, veremos os esforços atuais para coletar e armazenar os genes das criaturas vivas da Terra - de plantas e animais selvagens extintos a perfis de DNA de populações humanas inteiras.

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