por Craig C. Freudenrich, Ph.D. - traduzido por HowStuffWorks Brasil
Química e eletromagnetismo: descobrindo o elétron
No final do século XIX, químicos e físicos estavam estudando a relação entre a eletricidade e a matéria. Eles colocavam correntes elétricas de alta voltagem através de tubos de vidro cheios de gases de baixa pressão (mercúrio, neônio, xenônio), em algo bem parecido com as luzes néon. A corrente elétrica era transportada de um eletrodo (
catodo), através do gás e para o outro eletrodo (
anodo) na forma de um feixe chamado de
raios catódicos. Em 1897, o físico britânico
J. J. Thomson conduziu uma série de experimentos e obteve os seguintes resultados:
- ele descobriu que, se o tubo fosse colocado dentro de um campo elétrico ou magnético, os raios catódicos podiam ser desviados ou movidos (é assim que o tubo de raios catódicos (TRC) de sua TV funciona);
- ao aplicar somente um campo elétrico, somente um campo magnético ou uma combinação de ambos, Thomson conseguiu medir a razão da carga elétrica pela massa dos raios catódicos;
- ele descobriu que a mesma razão da carga pela massa de raios catódicos era vista independentemente de qual material se encontrava no tubo ou do material de que era feito o catodo;
Thomson chegou às seguintes conclusões:
- os raios catódicos eram feitos de partículas minúsculas e com carga negativa, que ele chamou de elétrons;
- os elétrons deviam se originar do interior dos átomos do gás ou do eletrodo de metal;
- já que a razão da carga pela massa era a mesma para qualquer substância, os elétrons eram uma parte básica de todos os átomos;
- como a razão da carga pela massa do elétron era muito alta, o elétron deveria ser muito pequeno;
Posteriormente, um físico americano chamado Robert Milikan mediu a carga elétrica de um elétron. Com esses dois números (carga e razão da carga pela massa), os físicos calcularam a massa do elétron como 9,10 x 10
-28 gramas. Para compararmos, uma moeda de um centavo americano possui uma massa de 2,5 gramas, o que faz que 2,7 x 10
27 elétrons pesem tanto quanto um centavo.
Duas outras conclusões se originaram da descoberta do elétron:
- como o elétron tem carga negativa e os átomos são eletricamente neutros, deve haver uma carga positiva em algum lugar do átomo;
- como os elétrons são muito menores do que os átomos, deve haver outras partículas com maior massa no átomo;
A partir desses resultados, Thomson propôs um modelo do átomo que era semelhante a uma melancia. A parte vermelha era a carga positiva, ao passo que as sementes eram os elétrons.