Já mencionamos as três espécies de tubarão mais perigosas e agressivas: os grandes tubarões-brancos, os tubarões-tigres e os tubarões-touros. Estas espécies são as mais mortais por várias razões:
Estatisticamente, existem entre 30 e 50 ataques de tubarão não provocados relatados no mundo todo anualmente, dos quais 5 a 10 são fatais. A Flórida é a região dos Estados Unidos onde acontecem mais ataques. Desde 1990, os números variam de 10 a 37 por ano. Os Estados Unidos lideram a lista de ataques no mundo inteiro [ref - em inglês].
A grande maioria dos ataques ocorre a poucos metros da costa porque é aí que a maioria das pessoas fica no oceano. O número de ataques no mundo inteiro tem crescido nos últimos anos por um motivo similar: mais pessoas estão passando suas férias em praias e participando de atividades no mar. Não há indicação de que os tubarões estejam se tornando mais agressivos.
A proteção governamental de mamíferos aquáticos promoveu o aumento das populações de focas, leões-marinhos e lontras-marinhas na costa oeste dos Estados Unidos. Todos esses animais são presas para os grandes tubarões-brancos. Como resultado, as áreas costeiras próximas a São Francisco têm maior número de grandes tubarões-brancos. Não houve um aumento em ataques destes tubarões nessas áreas porque geralmente as pessoas não nadam quando sabem que eles estão por perto.
Pouco depois do segundo ataque, um enorme tubarão foi visto nadando contra a correnteza no canal Matawan, seguindo em direção ao oceano através da água escura da maré. O relato foi recebido com ceticismo até que um grupo de garotos que estava nadando no riacho, a 18 km do oceano, foi atacado. Um dos garotos foi parcialmente comido e um adulto que mergulhou para tentar resgatá-lo também foi morto, outro garoto perdeu a perna em um ataque quando o tubarão retornou correnteza abaixo. Na subseqüente onda antitubarão, centenas de tubarões foram caçados e mortos. Posteriormente, um tubarão declarado como um grande tubarão-branco foi pego com restos humanos em seu estômago. Porém, este relato foi contestado. Os ataques no canal de Matawan têm mais probabilidade de terem sido cometidos por um tubarão-touro. Este foi um caso verdadeiro de tubarão assassino? Possivelmente. Porém, é igualmente possível que os ataques no oceano tenham sido cometidos por um tubarão diferente do tubarão do canal de Matawan e que a cronologia dos cinco ataques tenha sido uma coincidência. |
Ainda que os ataques de tubarão geralmente se concentrem em determinadas áreas, os tubarões viajam grandes distâncias e freqüentemente extrapolam seus alcances habituais. Particularmente, os grandes tubarões-brancos não têm problemas com água fria, mas os tubarões são reconhecidos por sua habilidade de tolerar água doce e já foram encontrados nadando em rios a centenas de quilômetros do oceano. Porém, eles geralmente preferem um clima tropical.
Como evitar ataques de tubarão
Não é comum um tubarão entrar em uma área costeira repleta de pessoas para selecionar uma vítima. Por outro lado, com freqüência a vítima é a pessoa que foi subitamente deixada sozinha e mais afastada da praia que os outros.
- David H. Baldridge, "Shark Attack" ("Ataque de tubarão")
Todo verão, a cobertura da mídia norte-americana chama muita atenção para os ataques de tubarão. Um resultado de toda esta atenção é que tendemos a perceber a ameaça maior do que ela realmente é. A mesma coisa acontece com os acidentes de avião. Estatisticamente, dirigir um carro é muito mais fatal do que voar. Entretanto, os acidentes de avião são relativamente pouco freqüentes e terrivelmente catastróficos. Eles acabam em todos os noticiários e as imagens permanecem em nossas mentes por um longo tempo. Como resultado, tendemos a superestimar os perigos de voar.
Quando os noticiários e os cientistas oferecem estatísticas reais, elas às vezes podem estar equiivocadas. Por exemplo, freqüentemente ouvimos a notícia de que você tem muito mais chances de ser atingido por um raio do que de ser atacado por um tubarão. Esta estatística se baseia no número de incidentes por ano. Porém, qualquer pessoa pode ser atingida por um raio quando uma tempestade se aproxima. Suas chances de ser atacado por um tubarão são zero se você mora no Kansas e não passa as férias na praia. Se você surfa todos os dias na costa da Flórida, a probabilidade de um tubarão atacar você é muito maior.
Isto não quer dizer que qualquer um que entre na água deva ficar aterrorizado com os tubarões, mas as pessoas que nadam e surfam no oceano precisam conhecer os perigos que os animais selvagens podem representar. Conhecer os fatores de risco para ataques de tubarões pode ajudá-lo a reduzir bastante as suas chances de se tornar uma vítima.
Aqui estão algumas diretrizes gerais:
![]() Foto cedida Tom Raycove |
Estas dicas não são infalíveis. Existem inúmeras circunstâncias nas quais os tubarões atacaram desafiando todos os padrões de ataque. A melhor dica é estar alerta e sempre nadar, mergulhar ou surfar com um parceiro. Alguns ataques não podem ser evitados, mas ter alguém por perto para pedir ajuda pode salvar a sua vida.
Se o pior acontecer e você se vir sendo atacado por um tubarão, o que deve fazer? Se possível, lute. Apesar de sua ferocidade, os tubarões tendem a ser covardes. Eles não gostam de presas que possam machucá-los. Esmurrar, chutar, esfaquiar e até mesmo dar cabeçadas são todas maneiras pelas quais vítimas de ataque conseguiram se livrar dos tubarões. Os olhos são particularmente sensíveis. Este tipo de resposta parece ajudar o tubarão a perceber que o que ele acabou de morder não é sua presa habitual.
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